Ciclismo: UCI diz que discurso de Pedro Sánchez «contradiz valores olímpicos»

15 set, 18:18
Protestos pró-Palestina em Bilbau durante etapa da Vuelta (Miguel Tona/EFE/EPA)

Organização «condena exploração do desporto para fins políticos»

Em resposta às declarações do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que demonstrou «profunda admiração pela sociedade civil espanhola, que se mobiliza contra a injustiça», em alusão aos protestos durante a última Vuelta pela presença de uma equipa israelita na prova, a União Ciclista Internacional (UCI) considerou que essa atitude «contradiz completamente os valores olímpicos de unidade, respeito mútuo e paz».

«Além disso, coloca em questão a capacidade de Espanha poder receber grandes eventos desportivos internacionais, garantindo a sua realização em condições seguras e em conformidade com os princípios da Carta Olímpica», acrescenta a entidade que reúne as federações nacionais de ciclismo, em comunicado.

A UCI manifestou «total desaprovação e profunda preocupação com os eventos que marcaram a edição de 2025 da Vuelta, em particular a interrupção abrupta da etapa final realizada em Madrid, consequência direta de uma série de incidentes ligados a manifestações pró-Palestina», os quais «constituem uma grave violação da Carta Olímpica e dos princípios fundamentais do desporto».

Garantindo que no seu congresso anual, a realizar na próxima semana, vai «apelar ao diálogo e à paz», aproveitando a presença no evento de delegações de Israel, Palestina, Rússia e Ucrânia, a UCI «condena firmemente a exploração do desporto para fins políticos em geral, e por governos em particular», sublinhando que «o desporto deve unir, nunca dividir».

A entidade elogiou ainda «o trabalho exemplar das forças policiais espanholas durante a Vuelta» e os organizadores da prova, «pelo seu empenho e resiliência perante uma situação sem precedentes».

A Volta a Espanha terminou com a vitória de Jonas Vingegaard [Team Visma-Lease a Bike], com o português João Almeida [UAE Emirates] a garantir o segundo lugar na geral. A última etapa foi anulada devido a protestos em Madrid contra a presença no pelotão da equipa Israel Premier Tech, que inviabilizaram, até, a cerimónia de consagração dos vencedores.

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