Esqueçam as árvores brilhantes e coroas, gemada, meias penduradas e o amigo secreto do escritório. Há um novo elemento em cena.
Na última década, a feia camisola de Natal consolidou-se na cultura natalícia. Sabem qual é: um pulôver de lã, normalmente em diferentes tons de vermelho, branco e verde, muitas vezes de um tecido duvidoso, e com pelo menos um motivo inspirado no Natal — um boneco de neve, fitas, uma rena ou bengalas de açúcar. Pontos extra se incluir pompons tridimensionais ou sininhos.
Esta peça de vestuário rapidamente se tornou uma parte essencial da época festiva, tão omnipresente quanto as luzes e o papel de embrulho. É berrante e de mau gosto, mas também fofinha e, de certa forma, acolhedora — o equivalente da moda a um filme de Natal da Hallmark (com uma boa dose de ironia).
Contudo, o "a camisola de Natal feia" (ou “ugly christmas sweater”, em inglês) demorou algum tempo a encontrar o seu lugar no panteão dos fundamentos natalícios.
Os pulôveres temáticos de Natal começaram a surgir nos anos 1950, talvez como um reflexo da crescente comercialização da época. Inicialmente chamadas de “Camisolas do Jingle Bell”, não eram tão espalhafatosas quanto as versões de hoje e tiveram pouca popularidade no mercado. Ainda assim, algumas personalidades da televisão — nomeadamente os cantores Val Doonican e Andy Williams — abraçaram com entusiasmo o lado feio da indumentária festiva.
Foi apenas nos anos 1980 que a peça ganhou notoriedade. A mudança deu-se graças à cultura pop e às comédias, com personagens paternas caricatas como Clark Griswold, interpretado por Chevy Chase em Que paródia de Natal, a transformarem a vestimenta natalícia numa expressão desajeitada, mas encantadora, de alegria festiva. As camisolas decoradas com flocos de neve não eram consideradas "fixes", mas irradiavam espírito natalício e começaram a ser usadas em festas de escritório e no próprio dia de Natal.
A moda, contudo, não durou muito. Nos anos 1990, a camisola perdeu popularidade, tornando-se algo que apenas parentes mais velhos e pouco atentos às tendências considerariam vestir ou oferecer. No início do novo milénio, a peça era amplamente vista como um erro de moda.
Lembremo-nos de O Diário de Bridget Jones (2001), onde Mark Darcy (Colin Firth) aparece numa festa de família a usar uma malha pouco atraente com uma rena gigante de nariz vermelho. Bridget (Renée Zellweger) fica horrorizada. Provavelmente, o público também ficou, mas não deixou de sorrir, tal é o poder reconfortante da Ugly Christmas Sweater (UCS).
Nos anos 2000, esta peça viu uma nova vida ser-lhe insuflada. Segundo o livro Ugly Christmas Sweater Party Book: The Definitive Guide to Getting Your Ugly On - tradução “Livro De Festa Da Camisola de Natal Feia: O Guia Definitivo Para Apostar Na Sua Fealdade” - festas temáticas de camisolas feias começaram a ganhar popularidade na mesma altura em que Bridget recuava diante da indumentária de Darcy.
A primeira festa deste género teve lugar em Vancouver, no Canadá, em 2002, segundo Brian Miller, um dos autores do livro e fundador da loja online UglyChristmasSweaterParty.com. “É difícil dizer o que desencadeou a mudança de perspetiva, mas acho que, no momento em que alguém vestiu a peça de forma humorística, as pessoas começaram a ver o lado cómico e a pensar: ‘esta coisa no fundo do armário pode ser divertida, em vez de algo terrível que ninguém quer’”, diz numa entrevista telefónica.
A popularidade da camisola começou a crescer rapidamente a partir daí.
Na década seguinte, a malha festiva evoluiu para o que Miller descreve como “uma nova tradição de Natal”. “Tornou-se o visco da nossa geração” acrescenta. “O que é bastante notável, quando se pensa nisso.”
Gigantes da moda rápida como a Topshop e retalhistas de luxo como a Nordstrom começaram a encher as prateleiras e sites com designs extravagantes a cada época festiva. Lojas vintage e o Exército de Salvação capitalizaram a tendência ao aumentar os seus stocks de camisolas com bonecos de neve e Pais Natal dançantes. Até o mundo da moda aderiu. Em 2007, Stella McCartney lançou uma camisola temática com um urso polar. A Givenchy seguiu em 2010 e a Dolce & Gabbana no ano seguinte.
2012 foi um ponto de viragem na febre da camisola feia. A organização britânica Save the Children lançou o Christmas Jumper Day, um evento de angariação de fundos que encoraja as pessoas a vestirem as suas camisolas mais embaraçosas. O jornal britânico The Telegraph descreveu a peça como “o must-have da estação”, enquanto o New York Times relatou a explosão de corridas temáticas, passeios por bares e e-tailers especializados nos Estados Unidos. Simultaneamente, as camisolas começaram a apresentar mais brilhos, sinos e detalhes excêntricos, atingindo o auge do kitsch.
Celebridades como Taylor Swift e Kanye West também abraçaram a tendência. O apresentador Jimmy Fallon criou um segmento habitual chamado “12 Days of Christmas Sweaters”, que ainda hoje é exibido.
Se é que algo poderia aumentar o estatuto “in” da camisola feia, o surgimento das redes sociais conseguiu fazê-lo. Hoje, competimos para mostrar o nosso amor por malhas de Natal no Instagram, enquanto retalhistas como a Target e até cadeias de fast food como a Red Lobster (cuja camisola inclui um bolso para manter comida quente) oferecem as suas próprias versões da peça.
“Quando participei na minha primeira festa de camisolas feias, nos anos 2000, nunca imaginei que a peça se tornaria tão popular,” diz Miller. “Embora seja fácil perceber porquê: malhas feias podem ser usadas por qualquer pessoa — desde a minha filha no concurso de camisolas feias da escola até trabalhadores em festas de final de ano. São democráticas. E são muito divertidas. O Natal pode ser bastante stressante — vestir algo ridículo pode ajudar a aliviar a pressão.”