Alegados perpetradores dessa violência incluem agentes da polícia, militantes partidários e desconhecidos, indica ONG
Moçambique registou pelo menos 32 casos de violência política, dois óbitos confirmados e cerca de 19 detenções aos membros dos partidos da oposição Anamola e Podemos no último ano, segundo dados da Organização Não-Governamental (ONG) Decide.
De acordo com um Mapa de Violência Política em Moçambique, divulgado esta terça-feira e com dados de julho de 2025 a maio de 2026, da Plataforma Decide, que monitoriza os processos eleitorais, há registo de 32 casos de violência política, além de 19 detenções arbitrárias, 11 casos de agressões físicas, dois casos envolvendo disparos e pelo menos dois óbitos confirmados.
Dados da ONG indicam que a insegurança, que inclui também vários casos notificados de invasão de casas e intimidações, afetou pelo menos oito províncias do país.
Um dos casos, segundo a ONG, envolveu o Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) - oposição e que apoiou em 2024 a candidatura presidencial de Venâncio Mondlane -, enquanto os restantes estão ligados à Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), este criado pelo político Venâncio Mondlane, que denunciou recentemente o assassínio e a perseguição de membros do movimento político.
A Plataforma Decide avança ainda que, nesse período, Maputo liderou o mapa provincial da violência política, com 10 casos registados, seguido de Nampula e Cabo Delgado, com cinco casos cada, seguindo-se Inhambane, Zambézia e Manica, com dois casos, e Gaza, com apenas um caso registado.
Os alegados perpetradores dessa violência incluem agentes da polícia, militantes partidários e desconhecidos, indicou a ONG.
Em 22 de maio, a Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) afirmou que os recentes assassínios com motivação política constituem um "atentado gravíssimo" contra a vida e a democracia, exigindo investigações céleres e independentes aos crimes contra membros da oposição.
A OAM referiu, em comunicado, que tem acompanhado "com profunda preocupação" relatos de intolerância e assassínios com motivação política, considerando que estes indícios refletem sérias dificuldades do Estado em cumprir uma das suas responsabilidades essenciais, garantir a segurança dos cidadãos.
Em 11 de maio, Venâncio Mondlane denunciou o assassínio de 56 membros do seu projeto político, convocando para o dia seguinte um minuto de silêncio, entoação do hino nacional e apitos contra estas mortes.
Venâncio Mondlane, candidato presidencial em 2024 e um dos principais críticos da governação em Moçambique, disse que estes assassínios são em resposta “à aceitação e força brutal” que o seu partido tem, incluindo uma base social “extremamente forte”, indicando que a formação política está disposta a fazer uma luta “livre, justa e pacífica” na política moçambicana.
Mondlane anunciara anteriormente que voltou à Procuradoria-Geral da República (PGR) moçambicana para se queixar de perseguição política. “Submetemos à procuradoria um relatório e uma denúncia atualizada, [com] 436 casos de violência extrema contra este partido”, disse o também presidente do Anamola.
