Moçambique: mais dois corpos encontrados decapitados em Muidumbe

Agência Lusa , MJC
5 jan, 13:49
Polícia de Moçambique (Associated Press)

Presume-se que estes corpos sejam o resultado dos ataques de insurgentes registados nas últimas semanas

As comunidades das aldeias de Nampanha e Namande, no distrito de Muidumbe, encontraram mais dois corpos decapitados, indicaram esta quinta-feira à Lusa fontes locais.

Os corpos, que se suspeita que sejam de civis, foram encontrados na segunda-feira: um deles num campo agrícola em Nampanha e o outro num tanque de água de uma residência em Namande, avançou à Lusa uma fonte das autoridades locais de Namande.

“Presume-se que estes corpos sejam o resultado dos ataques de insurgentes que registámos nas últimas semanas e houve fortes confrontos no dia 30 de dezembro [entre as forças governamentais e os rebeldes]”, declarou a fonte.

As incursões em pontos recônditos entre os distritos de Muidumbe e Macomia ganharam vigor nos últimos dias e as autoridades locais acreditam ser da autoria dos grupos rebeldes que deambulam pela região, em fuga das operações militares que têm sido desencadeadas pelas forças governamentais, com apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Ruanda.

Na aldeia de Nampanha, segundo um outro residente local, os rebeldes atearam fogo contra um número desconhecido de residências (maioritariamente de construção precária) e saquearam vários bens durante as suas incursões, num momento em que as populações começavam a voltar para as suas zonas de origem em função da calma que se registou nos últimos meses.

Em resultado destas novas incursões rebeldes, as forças governamentais moçambicanas anunciaram o lançamento de uma operação para destruir bases terroristas no limite entre os distritos de Muidumbe e Macomia.

A operação, designada Vulcão IV e que conta com a ajuda das forças estrangeiras que apoiam Moçambique no combate contra o terrorismo, visa “intensificar medidas de perseguição e destruição das bases terroristas do inimigo que aterroriza o norte do rio Messalo, distrito de Muidumbe, e o ocidente de Chai, no distrito de Macomia”, segundo um comunicado do Ministério da Defesa.

A província de Cabo Delgado enfrenta há cinco anos uma insurgência armada com alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde julho de 2021 com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.

O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

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