Se o verão lhe parece a altura ideal para uma terapia do sono, talvez esteja a fazer asneira. Este artigo explica porquê. Pista: o humano fecha os olhos e transforma-se em lagosta
Já tomou um banhinho. Já encheu a barriguinha. E agora só falta espraiar-se na praia. O areal é, para muita gente, a melhor cama que conseguem arranjar ao longo do ano. Sobretudo porque há tempo com fartura para fechar os olhos.
Mas será que a sesta na praia é assim tão saudável como muitos querem fazer parecer? Os especialistas discordam.
“Fazer uma sesta é saudável, mas fazer uma sesta ao sol é muito mau para a saúde da nossa pele”, alerta a dermatologista Marta Ribeiro Teixeira. Costumamos perder a noção do tempo. Os minutos transformam-se em horas. E o humano deitado na toalha é agora uma lagosta. Sim, o risco de apanhar um escaldão é maior.
“Estamos expostos à radiação ultravioleta, que é o principal risco para o cancro de pele, mas também para o envelhecimento da nossa pele”, junta Marta Ribeiro Teixeira.
Carlos Figueiredo, médico especialista na área do sono, concorda que dormir ao sol não é uma opção lá muito saudável. “Estamos a induzir alguma desidratação e a exposição das nossas vias áreas – nariz e boca – a um ambiente mais quente. Além disso, quando dormimos, a nossa temperatura corporal diminui. Perdemos esse mecanismo de regulação da temperatura corporal”.
Se insiste na sesta na praia, faça isto
Não é pela sesta em si. É pelas condições em que decide fazê-la. “A sesta é tipicamente depois do almoço, que é a hora em que temos o maior índice ultravioleta, a hora em que o sol vai fazer pior à nossa pele”, lembra Marta Ribeiro Teixeira.
Ainda assim, se é dos que insiste em fazer uma soneca no areal, o melhor é seguir estas dicas. Faça a sesta com o corpo todo na sombra. É o corpo todo, incluindo os pés, ouviu? Depois, não se esqueça do protetor solar.
Mas porquê, se estou à sombra? “A água e a areia são superfícies refletoras. Por isso, mesmo na sombra do guarda-sol a dormir, estamos sujeitos a um efeito da radiação ultravioleta”, clarifica Marta Ribeiro Teixeira.
E voltar à rotina, fica mais difícil?
O verão pode parecer a altura ideal para uma terapia do sono. Contudo, o problema vai ser quando tiver de voltar à rotina. “Quando a pessoa sente necessidade de sesta, geralmente, há um indício de que a qualidade do sono e de que o número de horas de sono, durante a noite, não foram os melhores”, aponta Carlos Figueiredo.
Segundo este especialista, “a própria sesta vai induzir mais dificuldades no ciclo natural do sono”. Ou seja, como dormimos durante a tarde, vamos tender a adormecer mais tarde. E, logo, a acordar mais tarde. Perdemos as nossas rotinas de sono. E isso é um problema para quando tivermos de voltar à rotina, à roda-viva do trabalho.
Para evitar a privação de sono ou a insónia no regresso a casa, “no verão, temos de tentar ao máximo não fazer uma disrupção tão grande dos nossos horários habituais de sono, para não haver uma dificuldade depois na hora de regressar ao trabalho”, aconselha o médico.