Clube Paulista teve uma «bonança» em 2017 que ajuda a explicar o sucesso recente
O Mirassol é um exemplo. Ou pelo menos deveria ser. O clube brasileiro, da cidade de São Paulo, qualificou-se pela primeira vez para a Libertadores. Ora, há cinco anos o «Leão» disputava o quarto escalão do Brasil.
🇧🇷🦁 Histórico, @mirassolfc! Pela primeira vez, classificado a uma edição da CONMEBOL #Libertadores!#GloriaEterna pic.twitter.com/TbxrQZdINn
— CONMEBOL Libertadores (@LibertadoresBR) November 21, 2025
Rápida ascensão
Muito aconteceu nestes últimos anos. Muitas boas decisões foram tomadas. A história deste trajeto? É simples: projeto e metas bem definidas.
Ora, vamos recuar ao ano de 2020. O mundo ainda «respirava» o dramático Covid-19. O Mirassol disputava a «Série D» brasileira, o equivalente ao Campeonato de Portugal de cá. Num trajeto que começou com sete grupos e terminou com eliminatórias, o clube paulista bateu o Floresta, de Fortaleza, na final.
No ano seguinte ficou-se pela manutenção na Série C, terceira divisão brasileira. Em 2022 sagrou-se campeão e conseguiu a subida à segunda divisão brasileira, a Série B. A escalada continuou e no ano seguinte ficou a apenas um ponto da subida ao Brasileirão.
A «bonança» chamada Luiz Araújo
A «bonança» chegou em 2017, com a transferência de Luiz Araújo do São Paulo para o Lille, de França. O avançado, que agora atua no Flamengo, fez parte da formação no Mirassol, que recebeu 30 por cento da transferência.
No total, o «leão» paulista faturou 11,4 milhões de reais (cerca de 1,8 milhões de euros). Desse dinheiro, mais de 960 mil euros foram utilizados para investir numa academia. O Mirassol não perdeu tempo e em 2018 inaugurou um centro de treinos de alta qualidade, algo que muitos históricos do Brasil ainda não possuíam.
Está, portanto, encontrado um grande motivo desta ascensão. Um clube do quarto escalão recebeu o que poderia ser considerada uma «anormalidade» de dinheiro para a realidade em que se inseria. O que fez? Não «desatou» a contratar jogadores. Algo até comum no Brasil, onde não são raras as políticas de contratações de atletas em fim de carreira com salários elevados.
Ao invés disso, o Mirassol preferiu investir numa visão que está a dar frutos.
Os anos foram passando e o clube paulista continuou a investir no centro de treinos. Em 2024, na altura enquanto disputava a Série B, o Leão já tinha investido 2,4 milhões de euros. Já dispunha, por exemplo, de equipamentos que nem clubes do Brasileirão possuíam.
Retornando ao trajeto do clube, o Mirassol, que cumpriu 100 anos de existência este ano, conseguiu a tão sonhada subida ao escalão principal brasileiro apenas no segundo ano em que disputou a Série B. A equipa de São Paulo terminou na segunda posição a apenas um ponto do campeão, Santos.
Subindo ao Brasileirão, ainda para mais sendo a estreia na primeira divisão, havia muita expectativa à volta do Mirassol. Expetativas essas que estão até a ser superadas.
Faltam poucas jornadas para o final do campeonato e o Mirassol não só garantiu a manutenção há muitas jornadas como carimbou, esta sexta-feira, um lugar na Libertadores do próximo ano.
Recapitulando: em quatro anos subiu da Série D à Série A. De seguida, no ano de estreia no Brasileirão, garantiu um passaporte que lhe deu a estreia na Libertadores. Incrível, certo?
Pouco mais de 5 anos atrás, o Mirassol estava SEM DIVISÃO NACIONAL, e ontem garantiu uma vaga na LIBERTADORES!
O tal do futebol... 🟡🟢🦁 pic.twitter.com/3OfN8Y2RT1
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Outro facto curioso? O plantel do Mirassol é composto apenas por brasileiros. A única equipa da Liga que tem este registo. Não ajuda propriamente a explicar o sucesso, mas confirma que há uma visão e um projeto claro a seguir. Algo raro nos dias de hoje.
São atualmente quartos classificados com 60 pontos. A faltar quatro jornadas, estão a 11 pontos do líder Flamengo, a nove do Palmeiras e a cinco do Cruzeiro. Matematicamente, num cenário utópico, ainda é possível sonhar com título.
Lição para muitos clubes
A moral da história é simples. Numa era em que são gastas centenas de milhões de euros em jogadores que podem ou não produzir, há quem faça muito... com pouco. Visão, estratégia e cautela. Um autêntico projeto, como se diz por aí.
Se o sucesso do Mirassol deve-se apenas à inauguração do centro de treinos? Claro que não. Futebol é mais do que isso. Mas foi preponderante, certamente. Até porque ter das melhores condições do país enquanto se está em escalões inferiores foi um claro trunfo para criar as bases deste crescimento. Por mais que não seja para atrair talento ou solidificá-lo. Tanto em jogadores como treinadores e membros do staff.
Os resultados estão à vista e há quem possa tirar notas. O Mirassol é, portanto, um exemplo. Ou pelo menos deveria ser.