Presidente dos EUA enviou Tom Homan para o Minnesota
Dois dias após a morte de Alex Pretti em Minneapolis às mãos de agentes da imigração (ICE), Donald Trump mudou o tom e passou do confronto para uma estratégia de contacto direto com as autoridades democratas do estado. O presidente dos EUA revelou que o governador do Minnesota, Tim Walz, lhe telefonou “com um pedido para trabalharem juntos em relação ao Minnesota” e que, na sequência dessa conversa, facilitou um contacto entre Walz e Tom Homan, antigo diretor do ICE que Trump decidiu enviar para o estado como “czar da fronteira”.
“Foi uma ótima decisão e, na verdade, parecíamos estar em sintonia”, escreveu Trump no Truth Social, num registo conciliatório pouco habitual face aos ataques anteriores dirigidos a Walz e ao presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey.
“Eu disse ao governador Walz que pediria a Tom Homan que lhe ligasse. O que estamos a procurar são todos os criminosos que eles têm em poder. O governador, respeitosamente, entendeu isso e falarei com ele em breve”, afirmou Trump, acrescentando que Walz está “feliz” com a ida de Homan para o Minnesota.
Horas depois foi a vez de Walz, também antigo candidato a vice-presidente dos EUA nas eleições de 2024 pelos democratas, fazer o balanço das conversações. Num comunicado divulgado pelo gabinete do governador, Walz explicou que defendeu a necessidade de “investigações imparciais sobre os tiroteios em Minneapolis envolvendo agentes federais" - "precisamos de reduzir o número de agentes federais no Minnesota”.
Segundo o mesmo comunicado, Trump concordou em falar com o DHS, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, “sobre como garantir que o Departamento de Investigação Criminal do Minnesota possa conduzir uma investigação independente, como normalmente seria o caso”, e em “analisar a possibilidade de reduzir o número de agentes federais no Minnesota e trabalhar de forma mais coordenada com o estado na aplicação das leis de imigração relativas a criminosos violentos”.
Tom Homan, o homem que Trump acredita que pode mudar a realidade do Minnesota
Com a decisão já em andamento, os olhos dos norte-americanos viram-se agora para um homem que internamente é bem conhecido por ser próximo de Trump: Tom Homan.
“Vou enviar o Tom Homan para o Minnesota esta noite. Ele não esteve envolvido nessa área, mas conhece e gosta de muitas pessoas de lá”, anunciou o presidente norte-americano no Truth Social, descrevendo-o como um homem “duro mas justo” que irá reportar “diretamente” ao presidente.
Homan, antigo diretor interino do ICE, foi um dos principais defensores das políticas de imigração mais controversas do primeiro mandato de Trump, incluindo a separação de crianças e famílias na fronteira.
Se para uns pode representar uma ameaça a Kristi Noem, a secretária de Segurança Interna dos EUA, para outros o envio do “czar das fronteiras” para o Minnesota é visto com bons olhos. Fontes próximas dos republicanos afirmaram à CNN que os deputados estão aliviados com a decisão de Trump.
“Ele sabe o que está a fazer. Ele entende do assunto”, referiu um deputado republicano à CNN, afirmando que Homan compreendia o sistema e sabia como realizar operações de fiscalização da “maneira correta”.
Segundo as mesmas fontes, os republicanos têm enfatizado há semanas a importância de transmitir a mensagem correta sobre imigração à Casa Branca, sublinhando que ainda apoiam a política de imigração restritiva de Trump e que acreditam que o país também a apoia. Ainda assim, referem, sentem que a Casa Branca não está a apresentar um plano bem estruturado ao público.
Ainda na mesma mensagem publicada nas redes sociais, Trump fez saber que “está a decorrer uma grande investigação sobre a fraude maciça de mais de 20 mil milhões de dólares em benefícios sociais que ocorreu no Minnesota”, que, segundo ele, será “responsável, pelo menos em parte, pelos violentos protestos organizados”.
A mudança de estratégia surge dois dias depois da morte de Alex Pretti, enfermeiro de cuidados intensivos, cidadão norte-americano de 37 anos, baleado por agentes da imigração no sábado de manhã, numa rua do sul de Minneapolis, depois de ter sido imobilizado durante uma manifestação contra a política migratória de Trump.