Ministro sueco "horrorizado" ao descobrir que o seu filho (que é menor) esteve envolvido com neonazis

11 jul 2025, 12:15
Johan Forssell (Geert Vanden Wijngaert/AP)

Caso levou a críticas, mas o ministro não se demite

“Quanto sabemos realmente sobre o que os nossos filhos fazem nas redes sociais e como podemos protegê-los de serem arrastados para algo que não queremos?”

O ministro sueco das Migrações revelou estar “chocado e horrorizado” após ter descoberto o envolvimento do seu filho, menor de idade,  em grupos de extrema-direita. Johan Forssell seguia o filho nas redes sociais, mas admitiu não saber aquilo que se passava.

A revista antirracismo Expo revelou que um “parente próximo de um ministro sueco” estava ativo na extrema-direita violenta, o que levou o ministro a vir então a público confirmar o sucedido.

Em declarações ao canal de televisão sueco TV4, o ministro das Migrações anunciou que não sabia daquilo que se passava e que tinha tomado conhecimento sobre as atividades do seu filho semanas antes através do contacto feito pelo serviço de segurança sueco Säpo.

Forssell alertou os pais para estas ou outras situações do mesmo género e para estarem atentos ao que os filhos fazem online.  

O jovem, que não é suspeito de qualquer crime, seguia ativistas e influenciadores de extrema-direita e esteve envolvido com uma violenta organização neonazi. O pai, o ministro, veio a público defender o menor com o intuito de protegê-lo e afirmou que “não se trata de me proteger enquanto político, trata-se de proteger um menor”.

Um caso que levou a críticas por parte da oposição, que pediu justificações sobre o caso. Grande parte dos partidos de esquerda quiseram perceber como se estava a resolver a situação e quais as potenciais preocupações a nível de segurança. 

Ainda assim, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, não perdeu a confiança em Forssell e reiterou que o ministro agiu “como um pai responsável deve agir quando toma conhecimento de que o seu filho está a fazer coisas erradas e está em más companhias”.

O ministro quis ainda explicar a situação através das redes sociais, onde  referiu que o filho está arrependido. Entre outras coisas, escreveu: “A minha mulher e eu tivemos longas e importantes conversas com ele. Ele agora rompeu completamente a relação e está profundamente arrependido. É um capítulo encerrado”. Acrescentou e reforçou ainda a ideia de que espera que “ isto possa servir para abrir os olhos a mais pais”

Johan Forssell integra um partido de centro-direita que lidera uma coligação que depende do apoio dos Democratas suecos, de extrema-direita, e já admitiu que não pretende demitir-se do cargo que ocupa.

O extremismo da extrema-direita, presente há muito tempo na Suécia, tem vindo nos últimos tempos a ganhar expressão através de grupos mais pequenos e ágeis que recrutam jovens através das redes sociais. Os Democratas ganharam relevo nas últimas eleições gerais e tornaram-se o segundo maior partido do país.

Desde 2008 que não havia registo de um número tão elevado de grupos ativos da extrema-direita sueca.

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