Ministro da Saúde diz que é preciso perceber as causas do maior consumo de antibióticos

Agência Lusa , DCT
18 nov, 18:21
Comprimidos

Manuel Pizarro adiantou que é preciso racionalizar em Portugal e em todos os países desenvolvidos a utilização de antibióticos, mas referiu que o trabalho que tem vindo a ser feito “é globalmente muito positivo”

O ministro da Saúde afirmou esta sexta-feira que é preciso perceber as causas de uma maior utilização de antibióticos, mas ressalvou que o trabalho que tem vindo a ser feito na racionalização destes medicamentos é “globalmente positivo”.

O Jornal de Notícias avança na edição de hoje que o consumo de antibióticos nos hospitais aumentou em 2020 e 2021, invertendo a tendência de descida que se registava desde 2013 e contrariando o que aconteceu na Europa no mesmo período, mas refere que pode estar relacionado com a covid-19.

Questionado sobre este assunto à margem do 31.º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, o ministro afirmou que é um assunto que tem de ser estudado com mais detalhe, para que “uma informação não resulte numa ideia alarmista que depois possa não ter correspondência na realidade”.

O ministro lembrou que, “se há mais atividade assistencial nos hospitais, é natural que exista utilização de mais medicamentos, nomeadamente antibióticos”, mas reiterou que é preciso perceber quais foram as causas do maior consumo.

Manuel Pizarro adiantou que é preciso racionalizar em Portugal e em todos os países desenvolvidos a utilização de antibióticos, mas referiu que o trabalho que tem vindo a ser feito “é globalmente muito positivo”.

“Ainda não atingiu os resultados que nós queremos na tal racionalização, sobretudo em guardar os antibióticos de largo espetro para situações muito específicas, mas é um trabalho que exige grande cooperação com os médicos e com os profissionais de saúde”, acrescentou.

Relativamente ao facto de este aumento poder estar relacionado com a pandemia, disse poder ser possível, mas salvaguardou que não há ainda um estudo suficientemente detalhado para se poder perceber qual é a causa.

“A maior utilização pode até ter absoluta justificação médica e não ser um problema ou, ao contrário, pode significar que os mecanismos de controlo da excessiva prescrição afrouxaram um pouco nos anos da pandemia”, disse.

Comentando ainda o “Índex Nacional do Acesso ao Medicamento Hospitalar”, hoje divulgado pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), que revela falta de medicamentos nos hospitais, o ministro disse que é uma informação que nunca lhe chegou.

Segundo este estudo, que recolheu dados dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde em Portugal continental, em 73% das instituições ocorrem regularmente roturas de stock: 32% são afetadas por roturas mensais, 23% semanais e 18% diárias.

Manuel Pizarro disse que não tem “nenhuma notícia de falta de medicamentos nos hospitais” que cause qualquer problema de funcionamento das instituições ou de qualidade de atendimento aos doentes.

“Vou ler agora o conteúdo do estudo para perceber se havia algum tipo de preocupação, mas não me parece com franqueza que daqui resulte nenhuma questão de funcionamento e tenho a certeza que não resulta nenhuma diminuição da capacidade de tratar os doentes”, rematou.

Questionado também sobre se há medidas para serem implementadas a curto prazo para evitar constrangimentos nas urgências obstétricas, o ministro afirmou que as medidas são as que já foram tomadas.

“Agora sabemos antecipadamente os problemas que temos e temos capacidade de reorientar a procura das pessoas para outros pontos da rede que estão em pleno funcionamento”, disse.

O ministro admitiu não ser a situação ideal que seria todos os pontos da rede estarem sempre em pleno funcionamento.

“Mas, apesar de tudo, há uma capacidade de previsão que permite, não apenas aos serviços de saúde, como às próprias famílias, às próprias grávidas, orientarem a procura para os serviços de proximidade que estão em funcionamento em todos os sítios”, sublinhou Manuel Pizarro.

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