Fenómenos climáticos extremos tiveram "profundo efeito nas causas de doença e de morte dos portugueses"

Agência Lusa , DCT
15 nov, 16:21
Manuel Pizarro (Lusa/Tiago Petinga)

Ministro da Saúde adiantou que já não é apenas o frio no inverno, como era tradicional, mas calor extremo no verão, que nos últimos anos, designadamente em 2022, terá tido um impacto muito negativo

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, alertou esta terça-feira que os fenómenos climáticos extremos tiveram “um profundo efeito” nas causas de doença e de morte dos portugueses e pediu urgência no combate às alterações climáticas.

Manuel Pizarro falava à agência Lusa à margem das comemorações do Dia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que incluíram uma conferência com o tema Alterações Climáticas – Impacto na Saúde proferida pelo médico infecciologista Kamal Mansinho.

Questionado se as alterações climáticas já se estão a fazer sentir na saúde dos portugueses, Manuel Pizarro afirmou que sim e defendeu que “não se pode perder tempo” no combate a este fenómeno.

“Eu não quero antecipar o estudo que está a ser feito, designadamente sobre as diferenças de mortalidade dos últimos anos, mas parece óbvio, numa avaliação preliminar, que para além do impacto terrível da pandemia - e esse impacto da pandemia não está desligado das mudanças climáticas - há também nas causas de doença e de morte dos portugueses um profundo efeito dos fenómenos climáticos extremos”, disse o governante.

Manuel Pizarro adiantou que já não é apenas o frio no inverno, como era tradicional, mas calor extremo no verão, que nos últimos anos, designadamente em 2022, terá tido um impacto muito negativo.

“Isto tem de ser acompanhado, mas há uma evidência que salta aos olhos de todos. Não podemos perder tempo e não nos podemos atrasar no combate às alterações climáticas”, defendeu.

O ministro observou ainda que o próprio sistema de saúde também contribui para as alterações climáticas: “Temos muitas instituições de saúde que são produtoras de energia e são fomentadoras de aquecimento”.

Para o governante, o sistema de saúde também tem que adotar as regras da economia circular e melhorar a eficiência energética.

“Nós temos de mudar comportamentos, por exemplo, é preciso avaliar caso a caso se os dispositivos de uso único, que são hoje às centenas de milhar, se em muitos casos não podiam com segurança e qualidade, dar origem à sua recuperação e à sua reutilização”, salientou.

O ministro sublinhou que a lógica do uso único “é uma lógica predadora dos recursos ambientais” que acaba por ter impacto na preservação ambiental que é essencial para a vida coletiva e para a saúde das populações.

Sobre como as instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão a lidar com o aumento das despesas devido ao aumento da inflação, o ministro reconheceu que é “com dificuldades” e é por isso que, no próximo ano, o Serviço Nacional de Saúde terá “o maior orçamento de sempre”.

“Nós vamos ter um orçamento que corresponda também a este aumento de custos que temos vindo a verificar, mas que não é exemplo da necessidade de nós controlarmos alguns desses custos e desse aumento de gastos que têm que ser controlados”, advertiu.

Manuel Pizarro sublinhou ainda que “é uma aposta” do Governo investir no SNS como “uma condição essencial para tudo”: “Para a nossa felicidade coletiva, para a nossa saúde individual, mas também para a produtividade da nossa economia”, rematou.

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