Em causa está um problema grave no país: alunos sem aulas. Governo regozijou-se por ter feito o que o PS não conseguiu quando Costa estava no poder. Ora, os números divulgados pelo Governo para fazer essa comparação são diferentes dos números reais. Muito diferentes. Muito mesmo. Ministro Fernando Alexandre assume que deu informação errada mas culpa os serviços do Estado - e até o próprio PS
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse há uma semana ao Expresso que houve uma redução de 90% do número de alunos que não tinham tido aulas a pelo menos uma disciplina. Ou seja, regozijava-se com o facto de este Governo ter conseguido baixar de 21 mil alunos nessa situação quando o PS estava no poder para 2238 alunos.
Problema: o PS acusou o ministro de não dizer a verdade porque, quando Costa estava no poder, seriam 2000 os alunos que não tinham tido aulas a pelo menos uma disciplina. O Expresso noticia esta quinta-feira que pediu novos dados e constatou o seguinte: os alunos sem aulas a 22 de novembro de 2023 (Governo PS) eram 7.381 e no final do primeiro período eram 3.295 (ou seja, um número bem distinto dos 21 mil que o ministro disse - mas também superior aos 2.000 alegados pelo PS, ainda que aqui a disparidade dos dados seja bem menos expressiva).
Perante tudo isto, Fernando Alexandre admitiu esta quinta-feira que divulgou "dados errados" e pediu desculpa ao jornal. “Lamento ter indicado aquele dado. Se tivesse o conhecimento que tenho hoje, não o teria feito”, diz, citado pelo Expresso. Questionado sobre se deve um pedido de desculpas ao PS, o atual ministro da Educação responde que não: “Em oito anos e meio tiveram tempo para montar um sistema de informação que permitisse medir este problema se o tivessem identificado como prioritário. Mas peço desculpa ao Expresso por ter apresentado um dado que, por aquilo que vemos agora, não devia ter sido usado”.
Por outro lado, Fernando Alexandre diz que o seu erro é da responsabilidade da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE). “Confesso que já não acredito nestes números [fornecidos pela DGEstE]. Para mim deixaram de ter validade. Simplesmente não são credíveis.”
O ministro explica que tinha confiado nos dados que lhe tinham sido fornecidos “ao longo de várias semanas de trabalho e reuniões” e que nunca foram postos em causa pelos serviços. “Confrontado com dados contraditórios, o MECI [Ministério da Educação, Ciência e Inovação] considerou não existir fiabilidade na informação prestada pelos serviços sobre o ano letivo de 2023/24, colocando em causa o rigor de todos os dados que têm vindo a público, incluindo o valor de referência escolhido pelo Governo para a avaliação do efeito das suas medidas, assim como os dados divulgados pelo ex-ministro João Costa”, diz agora ao Expresso o Ministério da Educação. E vai pedir uma auditoria externa.
