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Ministra do Trabalho sugere que declarações de Seguro "empoderaram a UGT" e dificultaram acordo no pacote laboral

CNN Portugal , TFR
19 mai, 09:53
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Em dezembro do ano passado, quando ainda era candidato presidencial, António José Seguro tinha apelado ao Governo para retirar a proposta de reforma laboral

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, sugeriu esta terça-feira que uma declaração feita pelo então candidato à Presidência da República António José Seguro teve impacto direto no processo de negociação laboral, ao considerar que acabou por “empoderar a UGT” e tornar mais difícil o alcançar de um acordo.

Em declarações ao programa Política com Assinatura, da Antena 1, a governante defendeu que a posição pública de Seguro teve um efeito contrário ao pretendido.

“A posição do então candidato à Presidência da República empoderou a UGT no sentido que tornou dispensável chegar a acordo”, afirmou.

A ministra acrescentou ainda que o entendimento que fez da intervenção do então candidato foi de que este pretendia o contrário, ou seja, incentivar o regresso à mesa das negociações.

“Eu julgo que o Sr. Presidente António José Seguro quereria exatamente o contrário, que era levar-nos a sentar outra vez à mesa e, portanto, a negociar outra vez, como, aliás, aconteceu, ele fez”, referiu.

Maria do Rosário Palma Ramalho admite, no entanto, que a intervenção acabou por produzir o efeito inverso ao desejado.

“Eu acho que tiveram um efeito ao contrário do que ele pretendia. Em vez de entusiasmar para um acordo, não vou dizer forçar um acordo, mas exercer a sua influência para um acordo, afinal, a UGT, na verdade, ficou legitimada para não celebrar o acordo, como veio a acontecer”, concluiu.

Em dezembro do ano passado, quando ainda era candidato presidencial, António José Seguro tinha apelado ao Governo para retirar a proposta de reforma laboral e iniciar novas negociações na Concertação Social.

Nessa altura defendeu a necessidade de “paz e estabilidade social” e afirmou que, caso fosse eleito, seria um Presidente exigente com o Governo e com os partidos.

“Volto a fazer um apelo ao Governo para que retire esta proposta e inicie novas conversações na concertação social entre empresários e representantes dos trabalhadores”, afirmou então.

Seguro considerou ainda que o pacote laboral iria "ferir um princípio democrático”, por não ter sido apresentado aos eleitores durante a campanha eleitoral e por ter falhado na concertação social.

“Não percebo, nem a oportunidade nem a necessidade desta legislação laboral”, disse, sublinhando que o país precisava de uma economia mais competitiva.

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