Comovida, Marta Temido pede desculpas “do fundo do coração” aos médicos do SNS

Visivelmente emocionada, a ministra da Saúde diz-se "genuinamente indignada"

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Marta Temido pediu desculpas de forma emocionada, esta quinta-feira, após ter afirmado numa audição na comissão parlamentar de Saúde que é preciso contratar médicos “mais resilientes” para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Em momento nenhum, eu disse que era necessário contratar médicos mais resilientes. O que eu disse é que era necessário que todos investíssemos na resiliência, em profissões tão exigentes como a saúde”, garantiu a ministra da Saúde.

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Questionada sobre o “terramoto político” causado pelas suas declarações, Marta Temido pede desculpa por aquilo que classifica como “uma má interpretação” e que o que realmente queria era “um investimento em mais resiliência, sobretudo em áreas tão exigentes como a saúde”.

“É necessário investir mais, porque é das coisas mais importantes em tempos de exigência como a que estamos”, insistiu a governante, voltando a pedir desculpa “genuinamente e do fundo do coração”.

“Os portugueses conhecem-me. Eu trabalho há muitos anos no setor da Saúde. Trabalhei com muitos profissionais de saúde e fico muito genuinamente indignada com esse mal entendimento”, sublinha.

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Recorde-se que as declarações da ministra, que surgem um dia depois de uma notícia da CNN Portugal, que revela mais de 400 médicos abandonaram o SNS desde o fim do estado de emergência, causaram “um tsunami político”, com reações muito duras por parte da Ordem dos Médicos. O Presidente da República também reagiu ao garantir que “na cabeça de todos os portugueses” está a noção de que os profissionais de saúde “são resistentes”.

“Na cabeça de todos os portugueses, ministros, secretários de estado, deputados, Presidente da República está que os profissionais de saúde são resistentes. Tomáramos nós ser sempre tão resistentes quanto eles foram e são e serão”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Braga.

Confrontado com a posição da Ordem dos Médicos que considerou que Marta Temido “perdeu toda a credibilidade” ao ter afirmado, quarta-feira, numa audição na comissão parlamentar de Saúde, que é preciso pensar “nas expectativas e na seleção” dos médicos, o chefe de Estado recusou-se a comentar.

O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta quinta-feira ser “absolutamente indiscutível” que, mesmo nos “momentos mais terríveis da pandemia”, o SNS e todos os seus profissionais mostraram “uma total dedicação, resiliência e empenho”.

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Na conferência de imprensa na qual apresentou novas medidas para controlar o agravamento da pandemia de covid-19, António Costa foi questionado sobre as recentes declarações da ministra da Saúde, Marta Temido, no parlamento, que defendeu ser preciso pensar no processo de seleção dos profissionais de saúde já que, “porventura outros aspetos como a resiliência, são aspetos tão importantes como a sua competência técnica”.

“Aquilo que nós pudemos constatar é que mesmo nos momentos mais terríveis desta pandemia, como foram os meses de janeiro e fevereiro do ano passado, o Serviço Nacional de Saúde e todos os seus profissionais, desde os assistentes operacionais aos médicos, todos mostraram uma total dedicação, resiliência, empenho, esforço no cumprimento da sua função e isso é absolutamente indiscutível e todos estamos gratos aquilo que é o esforço extraordinário dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde”, respondeu o chefe do executivo.

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