Ministra da Saúde diz que país está a atravessar semana "particularmente preocupante"

Agência Lusa , FMC
14 jul, 22:31
Marta Temido durante uma audição na Assembleia da República (António Cotrim/Lusa)

Marta Temido afirmou que os hospitais registaram esta quinta-feira "alguns picos de afluência nalgumas instituições de saúde" devido à vaga de calor

A ministra da Saúde afirmou que o país está a atravessar uma semana “particularmente preocupante” devido à vaga de calor e que esta quinta-feira alguns hospitais estão a registar “picos de afluência”.

Questionada pela agência Lusa no final de uma audição na Comissão de Saúde se os hospitais tomaram algumas medidas para responder a um eventual aumento da procura devido ao calor intenso, Marta Temido explicou que, no âmbito da saúde sazonal, os hospitais têm já as suas definidas e que implementam em função do contexto.

“Estamos, de facto, a atravessar uma semana particularmente difícil, particularmente preocupante, e esta quinta-feira há registo de alguns picos de afluência nalgumas instituições de saúde”, disse Marta Temido, referindo que o Governo está a acompanhar a situação.

A ministra disse esperar que “tudo corra o melhor possível, sabendo que os profissionais de saúde estão lá” e que se pode contar com eles.

“Aquilo que neste momento é importante é que cada um continue a fazer a sua parte e a garantir a melhor resposta possível à população”, defendeu.

Questionada se é possível deslocar médicos das consultas para reforçar as urgências hospitalares neste período de maior calor, Marta Temido disse que “isso não está previsto neste momento”.

“Naturalmente que é uma gestão institucional daquilo que é a necessidade de resposta à população concreta e às necessidades da população concreta, mas sob um ponto de vista mais genérico, neste momento, isso não está previsto, mas vamos avaliando, evidentemente”, rematou Marta Temido.

Aumento da mortalidade: Marta Temido afirma que o Ministério da Saúde está empenhado em conhecer as "causas e atuar sobre a suas causas"

Também questionada sobre uma notícia da Rádio Renascença que dá conta que no mês de junho registaram-se 10.215 mortes em Portugal, uma subida de 26% face à média de mortes diárias entre 2009 e 2019, a ministra afirmou que a mortalidade é um fenómeno complexo que carece de uma análise aprofundada e tecnicamente consistente.

Marta Temido destacou que Ministério da Saúde está, através das suas entidades, “totalmente empenhado em conhecer aquilo que é a mortalidade, conhecer as suas causas e atuar sobre as suas causas”,

Sublinhou ainda que, estas análises, para serem sérias, demoram muitas vezes tempo, e como tal é necessária “alguma prudência” na forma como às vezes se lê os números.

“Queremos chegar a conclusões céleres e elas não são possíveis quando são sobre fenómenos complexos e necessitam de tempo e de análise técnica”, sustentou Marta Temido.

Segundo o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, foram registados, em 2022, dois períodos de excesso de mortalidade, entre 17 de janeiro a 6 de fevereiro, coincidente com o pico de incidência da quinta onda pandémica em Portugal, e entre 9 de maio a 19 de junho, coincidente com o pico de incidência da sexta vaga da pandemia de covid-19 e com uma onda de calor também simultaneamente registada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera entre os dias 09 e 17 de junho.

A atividade epidémica da gripe também poderá de alguma forma ter contribuído para esta onda. “Ou seja, juntaram-se três componentes gripe, onda pandémica e também o calor”.

“Portanto, estamos perante três situações em que, muitas vezes, quando se juntam acabam por ser a tempestade perfeita”, afirmou Lacerda Sales, destacando também a necessidade de se avaliar ao longo do tempo estes picos de mortalidade.

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