400 médicos abandonaram o SNS desde maio. Ministra diz que clínicos têm de ser mais resilientes

Palavras da Ministra da Saúde no Parlamento geraram reações críticas do Bastonário da Ordem dos Médicos e do Sindicato Independente dos Médicos, que as consideram uma "ofensa"

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A ministra da Saúde, Marta Temido, disse esta quarta-feira que o caminho para resolver o problema de falta de médicos passa por contratar profissionais mais resilientes. Na terça-feira, a CNN Portugal avançou, em primeira-mão, que mais de 400 médicos abandonaram o SNS desde o fim do estado de emergência, em maio. Antes disso, um decreto-lei impedia-os de sair do Serviço Nacional de Saúde, dada a situação de pandemia.

Todos nós como sociedade pensemos nas expectativas e na seleção destes profissionais porque, por ventura, outros aspetos como a resiliência são aspetos tão improtantes como a sua competência técnica", disse Marta Temido na Assembleia da República, à margem da atual situação que se vive no Centro Hospitalar de Setúbal e da falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sugerindo que os profissionais sejam mais resilientes.

 

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"Estas são profissões que exigem uma grande capacidade de resistência, de enfrentar a pressão e o desgaste e temos que investir nisso", continuou. 

Em declarações exclusivas à CNN Portugal, o bastonário da ordem dos médicos classificou as palavras da ministra como “uma ofensa” à profissão, destacando que a justificação que Temido deu para a saída de profissionais do Serviço Nacional de Saúde é “uma situação que é, de facto, grave”.

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Miguel Guimarães questiona o que é que a ministra quer dizer quando descreve as expectativas laborais do SNS e ironiza: “Quer implementar uma escravatura médica, como nos países onde não há democracia?”

Questionado sobre se os médicos vão pedir a demissão da ministra, o bastonário diz que “não, vão sair do Serviço Nacional de Saúde”.

“É importante que os portugueses saibam que os médicos saem do SNS porque não estão a ser bem tratados”, afirma.

"Imperdoável ofensa", diz sindicato

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) respondeu também à ministra da Saúde e classificou as palavras da governante como uma "imperdoável ofensa" aos médicos portugueses, que estão exaustos.

Afirmar que têm de ser contratados médicos mais resilientes é uma imperdoável ofensa que os médicos portugueses, exaustos por centenas de horas extraordinárias (já agora, sendo obrigatórias... em exemplo não reproduzível em toda a administração pública) não mais perdoarão e esquecerão", lê-se na nota daquela entidade sindical.

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O SIM lembrou ainda que numa momento em que foi anunciado que mais de 400 médicos abandonaram o SNS, as declarações da ministra "ultrapassaram qualquer linha vermelha que pudesse ter sido traçada".

Entretanto, o Governo vai autorizar a contratação de todos os profissionais que venham a ser necessários com o reforço da vacinação contra a covid-19, avançou esta tarde o secretário de Estado Adjunto e da Educação.

“Vão ser dadas indicações, através de norma, para que se possam contratar todos os recursos humanos, quer médicos, enfermeiros, assistentes técnicos, assistentes operacionais, os que são necessários nos centros de vacinação”, afirmou António Lacerda Sales em conferência de imprensa.

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