Ministra não sente que "tenha falhado" no caso da grávida que morreu no Amadora-Sintra

12 nov, 14:53

 

 

Ana Paula Martins entende que já deu "todas as palavras que podia ter dado enquanto governante, de lamento e de grande consternação", à família de Umo Cani

A ministra da Saúde diz que não sente que falhou no caso da grávida que morreu no Hospital Amadora-Sintra e entende que já deu à família "todas as palavras que podia ter dado enquanto governante"

À margem da Convenção Nacional da Saúde, que decorreu em Lisboa, Ana Paula Martins foi questionada pelos jornalistas sobre se sente que falhou neste caso, que culminou também com a morte do bebé. "Não sinto que tenha falhado", começa por dizer. "Estou a cumprir o meu dever, admito que sempre debaixo de grande tensão e pressão mediática, mas continuarei aqui a trabalhar todos os dias com o Governo de que faço parte."

No mesmo dia da morte da grávida, a ministra da Saúde sugeriu, no Parlamento, que a morte de Umo Cani estava inserida no conjunto de casos de “grávidas que nunca foram seguidas durante a gravidez, sem médico de família, recém-chegadas a Portugal e que, muitas vezes, nem falam português, não foram preparadas para chamar o socorro e nem telemóvel têm”.

Mais tarde, soube-se, através de um comunicado do Amadora-Sintra, que a mulher era acompanhada desde julho, informação que a administração garantiu que a ministra não sabia, até porque só foi conhecida dias depois.

Sobre as declarações da família de Umo Cani, que diz não ter sido contactada pela ministra, Ana Paula Martins entende que já deu "todas as palavras que podia ter dado enquanto governante, de lamento e de grande consternação" e acrescenta que o Hospital Amadora-Sintra "está em contacto com a família para saber o que é necessário" em termos de apoio.

Interrogada sobre a notícia de uma grávida que teve o bebé num Uber, em Loures, depois de ter tido alta no hospital São Francisco Xavier, Ana Paula Martins admite ficar "muito incomodada" com estas "situações", mas ressalva que, enquanto ministra da Saúde, tem "obrigatoriamente de remeter a explicação sobre esse caso à Unidade Local de Saúde respetiva e não fazer qualquer tipo de comentário".

Ana Paula Martins anunciou também que o Ministério da Saúde está a procurar uma data para se reunir "o mais brevemente possível" com a recém-criada Associação dos Médicos Prestadores de Serviço, que representa os médicos tarefeiros. Em causa está a regulamentação do trabalho médico em prestação de serviços aprovada pelo Governo no final de outubro, que pretende regular os valores pagos a esses profissionais de saúde e que prevê um regime de incompatibilidades.

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