"Não deixaria que a credibilidade e a confiança que os portugueses têm na PJ fosse beliscada": ministra da Justiça explica auditoria à liderança de Luís Neves
As declarações surgem depois de, na semana passada, Rita Júdice ter determinado uma auditoria à PJ pela Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça
A ministra da Justiça, Rita Júdice, garantiu esta segunda-feira que não irá permitir que a polémica em torno do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, afete a confiança dos portugueses naquela instituição. As declarações surgem depois de, na semana passada, ter determinado uma auditoria à PJ pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) e uma avaliação interna à liderança do então diretor nacional.
“Eu entendi que deixou de se relatar apenas factos e passou-se a pôr em causa a credibilidade da Polícia Judiciária. E, como sempre disse, eu não deixaria que a credibilidade e a confiança que os portugueses têm na Polícia Judiciária fosse beliscada. E é por isso que estamos a atuar”, afirmou Rita Júdice na manhã desta segunda-feira aos jornalistas.
Segundo a governante, o atual diretor da PJ transmitiu-lhe uma preocupação, que foi acolhida pela própria. “Eu acolhi as suas preocupações, concordei com a sua posição, recebemos um pedido formal e foi determinado”, acrescentou, considerando tratar-se do “funcionamento normal destas instituições”.
Rita Júdice rejeitou, por isso, interpretações que ultrapassem os factos. “Eu percebo que muitas vezes temos de fazer histórias e narrativas à volta de factos que são muito concretos. É só isto”, sublinhou. A ministra explicou ainda que decidiu avançar quando entendeu que a discussão “deixou de se relatar apenas factos e passou-se a pôr em causa a credibilidade da Polícia Judiciária”.
As declarações surgem depois de, na semana passada, Rita Júdice ter determinado uma auditoria à PJ pela Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) e uma avaliação interna à liderança de Luís Neves. A PJ já está também a ser alvo de um processo de inquérito do Ministério Público relacionado com a deslocação de um atrelado apreendido no âmbito de uma investigação sobre tráfico de droga.
A auditoria e a avaliação interna abrangem questões noticiadas no último mês pela comunicação social e relacionadas com decisões tomadas por Luís Neves enquanto diretor nacional da PJ.
Sobre o tempo necessário para esclarecer a situação, a ministra afirmou que pretende celeridade, mas sem comprometer o rigor. “Nós queremos esclarecer, queremos que este esclarecimento possa ser feito o tão rápido quanto possível”, afirmou. Ao mesmo tempo, deixou claro que não vai “impor prazos irrealistas”.
“A minha preocupação é que seja esclarecido, que o trabalho seja sério, sem pôr em causa o rigor da ação e sem pôr em causa o contraditório que também terá que existir nestas situações”, afirmou ainda.
