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Buscas no Ministério da Saúde e no Santa Maria: "Se olhar ao que é normal da PGR, é claro que não é uma coincidência, foi de propósito"

CNN Portugal , BCE
6 jun, 22:09

Em entrevista exclusiva à CNN Portugal, Rui Rio volta a criticar a atuação do Ministério Público com a realização de buscas a instituições governamentais e políticos em alturas próximas da realização de eleições. "Bem ou mal, [as buscas] tiveram impacto na Madeira, tiveram impacto no Governo da República. E agora nesta eleição têm impacto ou não? Inócuo não é", indica

O ex-presidente do PSD, Rui Rio, acredita que as buscas do Ministério Público (MP) ao Ministério da Saúde e ao Hospital Santa Maria no âmbito do caso das gémeas luso-brasileiras "não podem ser uma coincidência", tendo em conta que se realizaram a poucos dias das eleições europeias.

De resto, a CNN Portugal sabe que as buscas realizadas esta quinta-feira estavam pedidas desde abril.

Em entrevista à CNN Portugal, Rui Rio questiona porque é que, sendo este um caso que já se conhecia "ao tempo", a Procuradoria-Geral da República (PGR) não avançou com estas buscas mais cedo ou até mesmo mais tarde. "Se eu olhar ao normal da PGR, eu digo que é claro que não é uma coincidência, foi de propósito", equaciona.

O ex-líder social-democrata até admite que a PGR possa esclarecer estas dúvidas "daqui por 15 dias, daqui por um mês ou dois meses". "Agora, a nossa experiência é que se passam os dois meses, três meses, os quatro, os cinco e os dez anos e nunca explicou nada destas coincidências e de outras coisas que fizeram", acrescenta.

"Não explicando nada, e face ao histórico de atuação do Ministério Público e da PJ - mais até do Ministério Público, que é quem manda na investigação - o português pode ser facilmente levado a concluir que fizeram isto porque vai haver eleições", diz ainda. "O que é péssimo" para a democracia, critica, lamentando que o MP se esteja "marimbando" para esta questão, por considerar que descredibiliza as instituições, nomeadamente a Justiça, e os próprios políticos, que passam todos a ser vistos como "corruptos".

Olhando não apenas para este caso em concreto, mas para todos os outros, dando como exemplo as buscas na Madeira e no Governo de António Costa, o social-democrata conclui que "querem interferir no julgamento político que as pessoas fazem".

"Efetivamente, bem ou mal, [as buscas] tiveram impacto na Madeira, tiveram impacto no Governo da República. E agora nesta eleição têm impacto ou não? Veremos, mas inócuo não é. Aliás, nunca saberemos como seria sem isto", problematiza.

Questionado sobre o manifesto dos 50 por uma reforma da Justiça, do qual foi um dos signatários, Rui Rio faz um balanço "positivo", ainda que só tenham passado cerca de 30 dias desde a sua publicação. "Teve um impacto grande, tem neste momento 101 signatários que, se as pessoas forem a ver um a um, são pessoas com elevada credibilidade e notoriedade, de todas as áreas, política ou não", indica.

Mesmo fazendo este balanço positivo, Rui Rio admite estar "mais cético" quanto ao impacto deste manifesto "daqui por um ano ou dois". "Uma coisa é o poder político, perante a força dos signatários, aceitar falar, conversar e simpaticamente comentar, outra coisa é depois haver a coragem e a capacidade e o sentido de Estado dos diversos atores políticos para se conseguirem sentar à mesa e acordar então sim medidas concretas que consubstanciam a reforma da Justiça", afirma.

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