Portugueses retidos em Lima "estão em segurança"

Agência Lusa , BC
15 dez 2022, 12:43
Polícia e manifestantes em violentos confrontos no Peru (Getty Images)

Jovens retidos no Peru estão a ser acompanhados pela embaixada de Portugal e aguardam para poderem viajar e sair do país de forma segura

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) indica que os portugueses que se encontram no Peru "estão em segurança" e aguardam a reabertura para abandonarem o país afetado pela instabilidade política e social.

"Os portugueses que se encontram, neste momento, no Peru estão em segurança, com o acompanhamento e apoio da embaixada (de Portugal) em Lima, até à reabertura dos aeroportos, para poderem viajar e sair do país de forma segura. O MNE continuará a acompanhar e a prestar todo o apoio necessário", refere uma nota emitida na quarta-feira à noite.  

No mesmo documento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indica que através da embaixada de Portugal em Lima, "tem acompanhado, desde o início, e em permanência, a situação dos portugueses que se encontram retidos no Peru", na sequência da situação de instabilidade política que se vive no país.

Por outro lado, segundo o MNE, a embaixada de Portugal tem realizado todas as diligências possíveis junto das autoridades peruanas e mantido contactos com os portugueses e respetivas famílias, tendo em vista a saída, em segurança, do país.

"Uma vez que existem outros cidadãos comunitários no Peru, em idêntica situação, está em curso a articulação com os representantes diplomáticos dos demais países da União Europeia no Peru, bem como com o delegado da União Europeia", explica ainda a nota do MNE.

De acordo com o portal do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em 2020, estavam registados na embaixada de Portugal em Lima 242 cidadãos portugueses.

Pelo menos sete jovens portugueses estão retidos num hotel na segunda maior cidade do Peru, onde os conflitos associados à destituição do presidente peruano estão a impossibilitar o regresso a Portugal, disse à Lusa a mãe de um dos jovens.

“Eles estão presos num hotel em Arequipa, onde chegaram com muita dificuldade. Na noite de sábado ficaram retidos quando seguiam na estrada Pan Americana em direção a Cuzco. Seguiam num autocarro onde ficaram durante 50 horas porque as estradas foram cortadas por manifestantes”, disse à Lusa Paula Rodrigues.

Na quarta-feira, o governo da chefe de Estado, Dina Boluarte, decretou o estado de emergência em todo o país, por um período de 30 dias, "para controlar atos de vandalismo e violência cometidos nas manifestações de protesto".

Por outro lado, o ex-presidente Pedro Castillo vai continuar detido durante mais 48 horas. 

Castillo foi preso depois de ter dissolvido o Congresso na tentativa de promover mudanças constitucionais para evitar um julgamento.

As atitudes de Castillo foram consideradas como um "golpe de Estado" por membros do governo, incluindo pela atual presidente Boluarte

O decreto publicado na quarta-feira indica que a Polícia Nacional do Peru mantém o controlo da ordem interna, com o apoio das Forças Armadas. 

Durante o estado de emergência ficam suspensas os direitos constitucionais relativos à inviolabilidade domiciliária, liberdade de circulação e liberdade de reunião.

Nas últimas 24 horas um grupo de manifestantes que protestam contra o governo e o Congresso queimou várias instalações públicas no município provincial de Espinar, região de Cuzco, sul do país. 

Os protestos contra a chefe de Estado eclodiram no domingo registando-se oito mortos, mais de meia centena de polícias feridos e um número que não foi especificados de manifestantes detidos.  

 

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