Partidos acusam Medina de “promiscuidade” e “troca de favores” com contratação de Sérgio Figueiredo

9 ago, 19:27

Da esquerda à direita, multiplicam-se as críticas à contratação do ex-diretor de informação da TVI por parte de Fernando Medina. PAN e Chega querem o ministro das Finanças no Parlamento a explicar a situação

“Promiscuidade”, “troca de favores”, “quebra de transparência” e um ministro das Finanças que “não confia” nos serviços do seu gabinete. As críticas à contratação de Sérgio Figueiredo, ex-diretor de informação da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), como consultor estratégico para fazer a avaliação e monitorização do impacto das políticas públicas do Ministério das Finanças, tal como avançou o jornal Público esta terça-feira, têm-se multiplicado nas últimas hora, com os partidos de oposição ao Governo a não se pouparem nas palavras.

O Bloco de Esquerda entende que o Governo tem de dar explicações sobre a contratação de Sérgio Figueiredo, uma contratação que classifica como feita “por ajuste direto”, uma vez que o ex-diretor de informação da TVI tinha contratado, em 2015, o atual ministro das Finanças para ser comentador no canal. À CNN Portugal, Pedro Filipe Soares diz que há “uma troca de favores” entre Fernando Medina e Sérgio Figueiredo, que o deputado acusa de ser “pago ao preço do ministro”.

Já o PSD acusa o governo de “promiscuidade”. Em declarações à Rádio Renascença, o deputado Duarte Pacheco diz que esta contratação “evidencia uma grande promiscuidade entre o Partido Socialista e o Governo com alguns órgãos de comunicação social e as pessoas que aí trabalham”. “Aquilo que o doutor Sérgio Figueiredo tem em experiência e competência reconhecidas é na política de comunicação, todos percebemos que as funções que estão adstritas são um disfarce para aquilo que é a grande preocupação do Governo, que é a área da comunicação”, acusa o social-democrata.

A Iniciativa Liberal também critica a contratação do antigo diretor de informação da TVI, frisando que é “preciso uma imprensa livre, sem relações promíscuas e relações de proximidade”. Em declarações à CNN Portugal, Rodrigo Saraiva questiona a liberdade de imprensa e diz que Fernando Medina “não confia nos serviços do Ministério das Finanças para fazer aquilo que é o âmbito desta contratação”.

Tanto o Chega como o PAN querem que Fernando Medina vá ao Parlamento prestar declarações e “explicações” sobre esta contratação. À TSF, Inês Sousa Real classifica como “grave” a entrada de Sérgio Figueiredo para o Ministério das Finanças, uma vez que, explica, “não sendo um membro, em sentido próprio, do gabinete de Medina, Sérgio Figueiredo não está sujeito aos deveres de ética e transparência do próprio código de conduta que o Governo tem, bem como os membros que formam os seus gabinetes”. A deputada do PAN diz que, por isso, “há aqui uma opacidade incompreensível com riscos de quebra de transparência que, no nosso entender, são um sinal negativo sobretudo considerando que Fernando Medina tem a pasta das Finanças”.

André Ventura defende que “há aqui uma proximidade” entre o ministro e o ex-jornalista e que essa mesma proximidade merece “um escrutínio especial”. Além disso, “sabendo também da proximidade destes intervenientes com figuras como José Sócrates”, a contratação, defende, “é algo que não nos deixa muito tranquilos”.

Para já, não há qualquer reação por parte do Livre e do Partido Comunista.

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