3 conselhos para ser mais resiliente – e superar adversidades que pareçam não ter fim

CNN , Megan Marples
14 set, 21:45
Saude mental

A resiliência é difícil quando parece que as suas dificuldades nunca vão acabar. Eis como lidar com isso.

Kendra Kubala desliga da sua última sessão de tele-saúde após um longo dia de consultas. Ela passa muitas das suas horas de trabalho como psicóloga clínica oferecendo check-ins online de saúde mental, algo a que teve de adaptar-se rapidamente quando a pandemia começou.

Kubala dá orientação sobre como praticar a resiliência - a capacidade de recuperar da adversidade -, o que lhe permitiu no início da pandemia tratar trabalhadores da linha da frente, tais como empregados de supermercados, conta.

Ser resiliente é mais desafiante quando parece não haver fim à vista para as dificuldades, tais como viver com a Covid-19, diz Kubala, que exerce prática em Nova Iorque e na Pensilvânia.

Os seres humanos querem que as coisas sejam lógicas, nós adoramos ter um princípio, meio e fim, diz.

“Quando não temos esse final facilmente identificável”, diz Kubala, “isso pode criar alguma preocupação excessiva que pode levar à ansiedade”.

A resiliência é uma capacidade, não um traço de personalidade, diz, por isso ela pode ser reforçada usando várias estratégias.

1. Pratique “mindfulness”, concentre-se no momento

Muitas pessoas acreditam erroneamente que mindfulness [ou “atenção plena”, prática de concentrar-se completamente no presente, no que está a acontecer] só inclui a meditação, mas também se trata de estar presente no momento, diz Kubala.

Uma forma de fazê-lo é prestar atenção aos seus cinco sentidos, diz. Concentre-se no que pode ouvir, ver, provar, cheirar e tocar quando se estiver a sentir sobrecarregado, diz Kubala.

“Reconhecer o que está a acontecer naquele momento pode por vezes acalmar-nos de uma forma que nos permite avançar de uma forma mais previsível e firme", recomenda Kubala.

Tenha uma rotina consistente

Algumas pessoas gostam de manter uma rotina diária, que pode ajudá-las a sentir-se mais no controlo das suas vidas, afirma Jason Moser, professor de ciência clínica, cognição e neurociência cognitiva na Michigan State University, em East Lansing, nos Estados Unidos.

As rotinas podem incluir qualquer coisa que tenha afetado positivamente a sua saúde mental no passado, como ter um horário de sono ou comer alimentos saudáveis, diz.

Fazer exercício ao ar livre é outra atividade saudável a incluir na sua “caixa de ferramentas”, e pode ser feito com um parceiro, aconselha Moser.

A natureza pode também permitir-lhe alargar a sua perspectiva, diz Ethan Kross, professor de psicologia e gestão e organizações na Universidade de Michigan em Ann Arbor, EUA. Quando faz caminhadas, ele faz um esforço concertado para olhar para as árvores, algumas das quais podem estar a crescer há centenas de anos, conta.

“Só estou aqui há algumas décadas”, explica Kross, “e esta árvore tem atravessado todo o tipo de coisas como tornados, e ainda está de pé”.

2. Construa uma comunidade forte

Uma das estratégias mais fortes para lidar com a adversidade é construir uma forte rede de apoio de pessoas de quem gosta, diz Moser.

Isso permite-lhe falar sobre o que se está a passar num espaço seguro, e obter conselhos de outras pessoas com perspetivas diferentes, diz.

Outras pessoas podem também aumentar o seu nível de responsabilização para alcançar hábitos saudáveis ou atingir objetivos, acrescenta.

Se tiver outra pessoa junto de quem se responsabiliza por um passeio matinal ou por uma corrida duas vezes por semana, esse aspeto social pode ajudar a manter alguns desses hábitos saudáveis, diz Moser.

3. Fale consigo mesmo como um amigo

As pessoas são muito melhores a dar conselhos aos outros sobre questões emocionais do que a si próprias e a segui-lo, afirma Kross.

Uma das estratégias é mudar a sua perspetiva e começar a falar consigo próprio como se estivesse a falar com outra pessoa, diz.

Por exemplo, numa altura difícil, pergunte-se: “Como é que vais gerir a situação? Então, dê conselhos a si próprio”, sugere Kross.

"Isto ajuda-os a mudar a sua perspetiva, para que comece a falar consigo próprio como se falasse com outra pessoa”, diz, “o que muitas vezes leva a formas mais sensatas de gerir as situações”.

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