Um vídeo divulgado por uma agência iraniana parece mostrar um míssil Tomahawk dos EUA a atingir uma base naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica junto a uma escola em Minab, onde mais de 160 raparigas morreram. Especialistas em armamento dizem que a munição é consistente com um míssil norte-americano. As imagens reforçam investigações anteriores que apontam para possível responsabilidade dos EUA, embora Washington continue a investigar o caso
Um vídeo que surgiu recentemente parece mostrar um ataque aéreo dos Estados Unidos a atingir um edifício na base naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica adjacente a uma escola primária em Minab, onde os meios de comunicação estatais iranianos dizem que mais de 160 raparigas foram mortas a 28 de fevereiro.
O vídeo, publicado pela Mehr News, uma agência noticiosa iraniana semi-oficial, é o primeiro a mostrar mísseis a atingir a área e junta-se a um conjunto de provas que parecem contrariar as afirmações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu a responsabilidade ao Irão.
Nas imagens, filmadas a partir de um estaleiro de construção nas proximidades, vê-se uma munição consistente com um míssil americano BGM ou UGM-109 Tomahawk Land Attack Missile (TLAM) antes de atingir um local dentro da base do IRGC. A Marinha dos Estados Unidos opera mísseis Tomahawk, lançando-os a partir dos seus navios de superfície e submarinos. Israel não opera o míssil Tomahawk, segundo especialistas.
À medida que a câmara se desloca para a direita, vê-se uma enorme coluna de fumo proveniente da direção da escola Shajareh Tayyiba. Dezenas de pessoas podem ser vistas em primeiro plano a fugir dos ataques.
Sam Lair, investigador associado do Centro James Martin para Estudos sobre Não Proliferação, disse à CNN que a munição no vídeo é consistente com um míssil Tomahawk - Míssil de ataque terrestre dos Estados Unidos:
“Primeiro, corresponde às características visuais de um TLAM. A forma cruciforme com asas montadas centralmente e um conjunto de cauda na parte traseira. Segundo, o vídeo foi filmado a cerca de 250 metros do provável ponto de impacto. Isso significa que a munição tem de ser grande. Isto exclui outras munições no arsenal dos EUA com características visuais semelhantes, como a GBU-69B.”
Outros especialistas em armamento consultados pela CNN concordaram com esta avaliação e acrescentaram que os TLAM são frequentemente usados em salvas iniciais antes de ser alcançada a supremacia aérea. Não foi imediatamente claro qual o edifício exato que foi atingido, mas uma análise da CNN sugeriu que atingiu um edifício dentro ou imediatamente ao lado de uma clínica médica operada pelo IRGC na base.
Na semana passada, investigações da CNN e de outros meios de comunicação sugeriram que os Estados Unidos eram provavelmente responsáveis pelo ataque. Imagens de satélite, vídeos geolocalizados, declarações públicas de responsáveis norte-americanos e a avaliação de especialistas em munições sugerem que a escola foi atingida aproximadamente ao mesmo tempo que um ataque que as forças americanas provavelmente realizaram contra uma base naval vizinha do IRGC.
O novo vídeo mostra fumo nas proximidades no momento do ataque, sugerindo que locais próximos podem também ter sido atingidos pouco antes. “O vídeo geolocalizado mostra um míssil de cruzeiro a atingir um dos edifícios localizados no centro da base”, referiu Lair. Acrescentou que, embora o vídeo não mostre o momento do impacto na escola, “provavelmente fez parte do mesmo ataque e teria sido acompanhado por outros mísseis de cruzeiro semelhantes”.
A CNN continua os esforços para obter imagens dos destroços da munição que atingiu a escola. Esse tipo de prova é fundamental para avaliar a responsabilidade por um ataque e, sem ela, as avaliações não podem ser conclusivas.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse no domingo que os EUA ainda estavam a investigar o ataque.