Conhecido como agitador conservador, Yiannopoulos chegou a defender as autoridades de imigração dos EUA
O controverso influenciador britânico Milo Yiannopoulos, que ganhou fama no espaço político de direita há mais de uma década, foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), informou na sexta-feira o Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA.
Yiannopoulos foi detido esta quinta-feira num aeroporto do estado do Louisiana, informou o DHS. Na tarde de sexta-feira, continuava detido, de acordo com o localizador de detidos online da agência.
Yiannopoulos entrou legalmente nos EUA em 2019, mas "optou por permanecer no país além do prazo permitido, violando as leis do nosso país", acrescentou o DHS.
"Foi emitida contra Yiannopoulos uma ordem definitiva de expulsão por um juiz de imigração a 22 de julho, após não ter comparecido à sua audiência de imigração", afirmou a agência numa publicação no X. "Ele permanecerá sob custódia do ICE enquanto aguarda a expulsão."
On August 27, ICE arrested Milo Yiannopoulos, an illegal alien from the United Kingdom, at the Louis Armstrong New Orleans International Airport (MSY) in Kenner, Louisiana. Yiannopoulos legally entered the country on May 14, 2019, through New York City, New York. He chose to… https://t.co/Hk6QBUmGDI pic.twitter.com/DbIhv8Z6PI
— Homeland Security (@DHSgov) August 28, 2026
Yiannopoulos é conhecido como um agitador conservador. Entre outras declarações públicas e aparições, atraiu considerável atenção do público depois de ter iniciado uma digressão de autocarro pelos campus universitários dos EUA, a que chamou "Dangerous F*ggot", que, segundo ele, tinha como objetivo promover a liberdade de expressão e levar a sua perspetiva às universidades onde acreditava que as ideias liberais poderiam dominar o debate no campus. Os seus comentários depreciativos sobre muçulmanos, pessoas transgénero e outros grupos suscitaram indignação por parte de muitos que argumentaram que a linguagem racista e de ódio constituía uma tentativa de alimentar tensões no campus e não deveria ser tolerada por faculdades e universidades.
As suas presenças em alguns campus suscitaram protestos veementes. Embora muitas manifestações tenham sido pacíficas, a visita de Yiannopoulos à Universidade da Califórnia, em Berkeley, em fevereiro de 2017, levou a instituição a cancelar o evento depois de um grande protesto se ter tornado violento e destrutivo e de dois estudantes republicanos terem sido atacados, segundo informou a universidade na altura.
Yiannopoulos manifestou o seu apoio à aplicação da legislação em matéria de imigração nos EUA ainda no ano passado. Numa publicação no X, apelou à criação de postos de controlo do ICE em supermercados da Califórnia e noutros locais públicos, bem como à "deportação imediata de qualquer pessoa que não consiga provar que se encontra legalmente nos EUA".
California needs ICE checkpoints at supermarket entrances, gas stations, strip malls, intersections and government buildings, with on the spot deportation for anyone who can’t prove they are in the US legally. pic.twitter.com/7ayF69ih4c
— MILO (@Nero) June 8, 2025
A sua ascensão à notoriedade coincidiu com a chegada do presidente Donald Trump à Casa Branca, e Yiannopoulos posicionou-se como um dos mais fervorosos apoiantes do presidente, chegando por vezes a referir-se a Trump como "papá".
