Kelsey Spencer, mãe de três meninas no noroeste do Illinois, é uma das pessoas que está rendida ao Kia Carnival Hybrid 2026
É vê-los a passar, sem motivos para revirar os olhos.
Os pais da geração millennial estão a mudar de ideias sobre os monovolumes. Um vídeo no TikTok mostra um Kia Carnival com bancos a fazer lembrar um lounge, com descanso para os pés, e ecrãs de 14 polegadas na parte traseira. Um outro vídeo exibe com orgulho um Toyota Sienna, declarando: “18 bases para copos, mas vocês ainda têm sede”. E uma mãe transformou o seu monovolume numa verdadeira sala de estar móvel – não sem antes se livrar, cheia de entusiasmo, de tudo o que era antigo.
Os monovolumes, outrora o veículo preferido das mães que levam os filhos para o futebol, estão de volta. Este que foi considerado, durante muito tempo, um segmento morto, viu as suas vendas a crescer 21% em 2025, atingindo quase 400 mil unidades, segundo a Edmunds.
O Toyota Sienna é, atualmente, um dos carros mais vendidos no mercado, refere Matt Smith, responsável de conteúdos da CarGurus, à CNN. As vendas aumentaram 35% em 2025. Os automóveis ficam apenas cerca de 18 dias nos stocks dos concessionários.
Em maio, Matt McAlear, presidente executivo da Chrysler e da Dodge, afirmava que o monovolume está a “viver um ressurgimento”.
Os millennials chegaram à idade considerada ideal para serem pais. E não só estão a descobrir as características extremamente praticadas dos monovolumes – de que são exemplo os bancos que deslizam em todas as direções – como também estão a aprender qual a melhor forma de transportar os filhos.
Kelsey Spencer, mãe de três meninas no noroeste do Illinois, pensava que nunca a veriam dentro de um monovolume. Agora, parece não conseguir viver sem o seu Kia Carnival Hybrid de 2026.
Quando comprou o seu primeiro carro há dois anos, Spencer receava que as pessoas soltassem este pensamento à sua chegada: “ui, um monovolume”. Em vez disso, as pessoas perguntavam: “Que carro é este? É muito giro”.
Os pais contam à CNN que as portas deslizantes facilitam a deslocação das crianças e que a terceira fila de bancos acomoda bem quem ainda está numa fase de crescimento. Além disso, trata-se de um veículo economicamente mais acessível quando é feita a comparação com os robustos e imponentes SUV, que costumavam ser os carros preferidos das famílias, mas que agora estão entre os automóveis mais caros do mercado.
“Não existe veículo melhor para transportar pessoas e para ter uma capacidade de carga maior. Ainda assim, como foram considerados algo fora de moda durante tanto tempo, as vendas pura e simplesmente caíram a pique”, refere Ivan Drury, diretor da Edmunds, à CNN. “Contudo, no fim de contas, o que mais importa é o dinheiro que temos disponível”.
Como o monovolume perdeu o seu título de ‘carro das mães’
O espaço e a versatilidade dos monovolumes eram caraterísticas inovadoras quando o modelo foi lançado nos anos 1980. Nessa altura, as carrinhas eram consideradas um carro familiar sem estilo, explica Damon Smith, editor de investigação do cars.com, à CNN.
Com o passar do tempo, os monovolumes associaram-se à imagem das "mães de jogadores de futebol”.
Ainda assim, os SUV eram vistos como superiores. Os anúncios mostravam veículos elegantes e imponentes, com tração às quatro rodas, capazes de percorrer terrenos acidentados, o que acrescentava um toque de sofisticação até à mais simples deslocação para um treino de basebol.
Os fabricantes de automóveis sabiam que os clientes comprariam esta ideia, mesmo que houvesse cada vez mais famílias a usar os seus casos para ir ao supermercado e não para conduzir pela selva.
“Não somos um povo que compra carros de uma forma inteligente. Conheço muitas pessoas que teriam, certamente, beneficiado de todo aquele espaço de carga adicional” num monovolume, junta Drury.
Os monovolumes só representam cerca de 2,4% do mercado automóvel, em comparação com os 3,2% de 2016. A maioria das pessoas pura e simplesmente não precisa de todo o espaço que um monovolume oferece. E a própria vida nos subúrbios também mudou: as famílias americanas têm agora menos filhos e as mansões são cada vez mais caras – e raras.
Ainda assim, a nostalgia por um certo estilo de vida do passado poderá também estar a levar algumas famílias a optar pelos monovolumes. Como confessa uma mãe da geração millennial: “Nunca me imaginei a dizer isto.. Começo a romantizar a ideia de ter um monovolume”.
Spencer costumava conduzir um SUV Nissan Pathfinder, prometendo a si mesma que nunca conduziria um monovolume. Contudo, as coisas mudaram quando viu que os seus dois filhos de cinco anos conseguiam carregar num botão e abrir a porta da carrinha monovolume sozinhos. A poupança no que respeita ao combustível também ajudou à decisão.
Kelsey Spencer conta que usa a área alcatifada do seu monovolume para trocar de roupa, sem perder muito tempo, depois de um mergulho no verão, ou para almoçar quando está a chover, fazendo uma espécie de piquenique.
Emma Cedar, mãe de dois filhos a viver nos subúrbios de Nova Iorque, confessa que descobriu as maravilhas dos monovolumes durante uma viagem que fez à Califórnia há alguns anos. E mesmo só tendo um filho na altura, foi claro que era “mais fácil colocá-lo e tirá-lo do carro. Parece simplesmente mais confortável”.
Uma alternativa acessível
Segundo o site cars.com, os monovolumes são cerca de quatro mil dólares (3.500 euros) mais baratos do que os SUV de três filas comparáveis. Não só são mais económicos em termos de consumo de combustível, uma vez que muitos vêm com uma versão híbrida, como tendem a ser mais espaçosos.
Os SUV tendem a custar mais do que os monovolumes porque são construídos assentes em plataformas de pick-ups, embora com uma cabine fechada e bancos extra. E os clientes que adiaram a compra de automóveis durante os anos da pandemia. devido à escassez de stock e à inflação, depararam-se com um choque de preços quando regressaram aos concessionários.
Em junho de 2026, o preço médio de venda de um monovolume era de 48.908 dólares (cerca de 43 mil euros) - inferior à média para todos os automóveis novos, que era de 49.758 dólares (cerca de 44 mil euros). É um valor significativamente mais barato do que o preço médio de um SUV de grandes dimensões, que chega quase aos 80 mil dólares (acima dos 70 mil euros). E um bocadinho mais barato do que os SUV de média dimensão, que custam, em média, 49.792 dólares (quase 44 mil euros).
Cedar, a mãe de duas crianças de Nova Iorque que conhecemos neste artigo, é uma dessas compradoras. Ela e o marido compraram um Chrysler Pacifica de 2024 por menos de 40 mil dólares, conta à CNN. Cedar enfatiza que nunca teve nada contra os monovolumes. Contudo, acabou apanhada de surpresa pelos preços dos SUV quando procurava um carro maior.
“Lembro-me de quando era mais nova e a BMW lançou um carro de 30 mil dólares. Agora esse é o preço mais baixo para muitos carros”, conclui.
