Pandemia criou um novo bilionário quase todos os dias

CNN , Tami Luhby
24 mai, 15:40
Pedestres caminham junto à Bolsa de Nova Iorque (NYSE) a 4 de Abril de 2022 na cidade de Nova Iorque. Foto: Spencer Platt/Getty Images

A pandemia de Covid-19 tem sido benéfica para as carteiras dos ricos

Cerca de 573 pessoas juntaram-se às listas de bilionários desde 2020, elevando o total mundial para 2.668, de acordo com uma análise divulgada pela Oxfam no passado domingo. Isto significa que surgiu cerca de um novo bilionário a cada 30 horas, em média, até agora durante a pandemia.

O relatório, que se baseia em dados compilados pela Forbes, analisa o aumento da desigualdade ao longo dos últimos dois anos. Está programado para coincidir com o início da reunião anual do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, uma reunião com algumas das pessoas mais ricas e líderes mundiais.

Os bilionários viram o seu património líquido total aumentar em 3,8 triliões de dólares, ou 42%, para 12,7 biliões de dólares durante a pandemia. Uma grande parte do aumento foi impulsionada por fortes ganhos nos mercados bolsistas, que foram ajudados por governos que injetaram dinheiro na economia global para suavizar o golpe financeiro do coronavírus.

Grande parte do salto na riqueza veio no primeiro ano da pandemia. Depois, a situação tornou-se mais estável e desde então tem caído um pouco, afirmou Max Lawson, chefe da política de desigualdade na Oxfam.

Simultaneamente, a Covid-19, a crescente desigualdade e o aumento dos preços dos alimentos poderão empurrar até 263 milhões de pessoas para a pobreza extrema este ano, invertendo décadas de progresso, referiu Oxfam num relatório divulgado no mês passado.

"Nunca vi um crescimento tão dramático da pobreza e da riqueza no mesmo momento da história", revelou Lawson. "Vai prejudicar muita gente."

Beneficiar de preços elevados

Os consumidores de todo o mundo estão a lutar com o aumento do custo da energia e dos alimentos, mas as empresas destas indústrias e os seus líderes estão a beneficiar com o aumento dos preços, referiu a Oxfam.

Os bilionários no setor alimentar e do agronegócio viram a sua riqueza total aumentar em 382 mil milhões de dólares, ou 45%, nos últimos dois anos, após o ajuste da inflação. Surgiram cerca de 62 bilionários no setor alimentar desde 2020.

Entretanto, o património líquido dos seus pares nos setores do petróleo, gás e carvão aumentou 53 mil milhões de dólares, ou 24%, desde 2020, após o ajuste da inflação.

Apareceram quarenta novos milionários pandémicos na indústria farmacêutica, um setor que tem estado na linha da frente na batalha contra a Covid-19 e que tem beneficiado de mil milhões em financiamento público.

O setor tecnológico gerou muitos bilionários, incluindo sete das 10 pessoas mais ricas do mundo, tais como Elon Musk da Telsa, Jeff Bezos da Amazon e Bill Gates da Microsoft. Estes homens aumentaram a sua riqueza em 436 mil milhões de dólares para 934 mil milhões de dólares nos últimos dois anos, após o ajuste da inflação.

Taxar os ricos

Para contrariar o crescimento meteórico da desigualdade e ajudar aqueles que lutam com o aumento dos preços, a Oxfam está a pressionar os governos a taxar os ricos e as empresas.

É necessário um imposto temporário de 90% sobre o excesso de lucros empresariais, bem como um imposto único sobre a riqueza dos bilionários.

O grupo gostaria também de cobrar um imposto permanente sobre a riqueza dos super-ricos. Sugere um imposto de 2% sobre ativos superiores a 5 milhões de dólares, subindo para 5% para o património líquido superior a mil milhões de dólares. Isto poderia aumentar 2,5 triliões de dólares em todo o mundo.

No entanto, os impostos sobre a riqueza não têm sido adotados por muitos governos. Os esforços para cobrar impostos sobre o património líquido dos americanos mais ricos não têm conseguido avançar no Congresso nos últimos anos.

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