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Miguel Sousa Tavares: "O que uma companhia privada não fará é estar a custear rotas políticas como, por exemplo, com a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, onde a TAP só perde dinheiro"

10 jul 2025, 22:23

Comentador da TVI concorda com a privatização mas adverte que os portugueses ainda vão continuar a pagar pela TAP, uma vez que o Estado e os trabalhadores continuam a deter a maior parte do capital

Miguel Sousa Tavares afirmou esta quinta-feira na 5.ª Coluna que é favorável à privatização de 49,9% da TAP.

O comentador da TVI considera a primeira privatização e a renacionalização da TAP “erros” por parte dos Governos de Pedro Passos Coelho e António Costa, respetivamente.

“Até hoje estou para perceber porque é que a TAP precisou de 3,2 mil milhões de euros dos contribuintes depois de ser renacionalizada. Ninguém se lembrou de ver quanto é que valia a TAP no mercado, porque os 3,2 mil milhões de euros é mais do dobro daquilo que a TAP está avaliada. Injetámos dinheiro para perder. É óbvio que os contribuintes nunca mais serão ressarcidos”, disse Sousa Tavares.

No entanto, o comentador adverte que os portugueses ainda vão continuar a pagar pela TAP, uma vez que o Estado e os trabalhadores continuam a deter a maior parte do capital.

“Dizem que a TAP tem de ter a maioria do capital público porque é uma empresa estratégica para Portugal. (…) Tudo o que faz pode ser feito por uma companhia privada. Havendo mercado há serviços, havendo procura há oferta. Agora, o que uma companhia privada provavelmente não fará é estar a custear rotas políticas como, por exemplo, com a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, onde a TAP só perde dinheiro, só se mantém em nome da CPLP. São rotas que estão ao serviço desses países e não de Portugal.”

O Governo "mente"

Sousa Tavares falou também sobre a imigração e lançou duras críticas ao Executivo de Luís Montenegro pelas alterações que quer fazer à lei da nacionalidade.

“Aqueles que têm adquirido mais a nacionalidade portuguesa não vivem cá. São os judeus sefarditas cujos antepassados, se não houver batota, viveram aqui há 500 anos. Portanto, eles não estão cá. Esse argumento cai logo pela base, mas também cai pela base o argumento do Governo de que tem havido uma corrida aos pedidos e que está tudo descontrolado. Os pedidos acumularam nos últimos nove anos, de facto, porque não foram despachados, como aconteceu com os pedidos de autorização de residência”, observou.

“A alteração da lei e a nova política do Governo baseiam-se em dados falsos. É falso e eu não gosto que os Governos nos mintam. Não gosto que os Governos apresentem, para justificar as suas políticas, números falsos. Estes números que mostrámos aqui são do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), são números oficiais. Os outros são inventados pelo Governo”, completou.
 

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