Em causa está a crise política - e uma maneira de evitar que se repita
Miguel Sousa Tavares teceu elogios à declaração do Presidente da República desta quinta-feira à noite, em que Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas para 18 de maio.
O comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) disse, no Jornal Nacional, que Marcelo “fez bem” em falar da conjuntura internacional na sua mensagem ao país.
“Os nossos políticos têm a mania que estão sozinhos no mundo. Têm a mania que o que se passa lá fora não os afeta”, diz Sousa Tavares, que elogia também a menção do Presidente à campanha eleitoral.
“[Fez bem] em chamar a atenção para que haja uma campanha eleitoral minimamente urbana, digamos assim. Que não se reproduza na campanha eleitoral aquilo que vimos na Assembleia da República no debate das moções de censura e da moção de confiança”.
Sublinhando que os portugueses “não queriam nem precisavam” destas eleições, Miguel Sousa Tavares lançou um desafio aos pivôs do Jornal Nacional, José Alberto Carvalho e Sandra Felgueiras.
“Eu desafio-vos aos dois porque os dois, de certeza, vão ter ocasião de entrevistar os principais candidatos na campanha eleitoral, a que eles tenham um compromisso que é o seguinte: ‘se eu perder, eu deixo governar o outro. Quatro anos. Deves passar os Orçamentos, deves passar tudo isso’”, afirmou o comentador. “E para que os portugueses possam escolher porque, se ambos disserem que sim, ambos estão comprometidos. Se um disser que não, nós podemos escolher votar, dá mais estabilidade”.
Apesar de elogiar a declaração de Marcelo, Miguel Sousa Tavares deixa um reparo à atuação do Presidente da República por não ter feito nada durante a crise política.
“Se ele não fez nada, e nós não sabemos se ele não fez alguma coisa, eu acho que sim, que ele deveria ter intervindo antes. Devia chamar os dois e dizer, ‘meus senhores, não brinquem com o país’. O que estão a fazer é brincar com o país e com o regime porque as pessoas começam a pensar se a democracia é isto, queremos um regime musculado”, completou.
