Polémica está instalada no Parlamento e o comentador da TVI lamenta que não haja uma discussão mais científica em vez de ideológica
PSD, Chega e CDS ficaram sozinhos na defesa das suas iniciativas sobre identidade de género, com a Iniciativa Liberal a juntar-se à esquerda nas críticas às propostas, alegando que há o perigo de uma regressão dos direitos fundamentais.
Para Miguel Sousa Tavares, “agora tudo é um retrocesso civilizacional”. O comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) dá não apenas este exemplo, mas o da reforma da lei laboral, também amplamente criticada à esquerda e ainda sem garantia de aprovação, até porque as negociações com os parceiros sociais continuam.
Miguel Sousa Tavares não tem uma “opinião fechada” sobre o assunto, até porque admite estar “mal informado”, em parte por causa da ação dos partidos.
“Em 2018 houve uma votação ideológica e agora parece que vai haver outra, de sinal contrário. Estamos a falar de uma coisa que não é indiferente, uma pessoa mudar de sexo voluntariamente tem consequências a todos os níveis. Devia haver aqui um consenso mínimo”, defende, sugerindo até que os médicos se envolvam na discussão.
Na sua rubrica 5.ª Coluna, do Jornal Nacional da TVI, Miguel Sousa Tavares lembra que os menores com pelo menos de 16 anos podem decidir, apenas com o consentimento dos pais e sem parecer médico, pela mudança de género.
“Eu acho isso um absurdo. Aos 16 e 17 anos já sabem que querem mudar de sexo? Mas eles foram ao mundo? Leram o Guerra e Paz, alguma vez viram um quadro do Velázquez ou ouviram uma música do Mahler? Estamos a falar de quê? De pessoas que ainda não viveram nada, nada”, aponta.
E Miguel Sousa Tavares não vai no argumento de que estes jovens têm direito a esta mudança - “para mim é uma treta, é pura demagogia”. Diferente são os casos das restantes pessoas, onde a vontade deve ser suficiente, no entender do comentador.
Em vez das acusações à mudança da lei, Miguel Sousa Tavares quer antes ver as explicações de quem entende do assunto, nomeadamente a partir de pareceres clínicos.
“A tentação dos pais, claro, é fazer a vontade dos filhos. Não me venham vender a tese de que para os pais é indiferente ter um rapaz um filho que afinal diz ‘sou rapariga’”, acrescenta, admitindo que não conhece nenhuma família que tenha um filho transexual.