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Zelensky tem uma escolha a fazer numa "posição péssima". Para Sousa Tavares "o problema de tudo isto" começou na Europa

20 nov, 23:01

 

 

 

Miguel Sousa Tavares ficou surpreendido com as declarações de uma alta responsável europeia

Miguel Sousa Tavares considera que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem uma escolha a fazer agora que está "numa posição péssima para negociar" com a Rússia.

"Quando nada se fez para conseguir, em tempo, uma solução pacífica que garantisse à Ucrânia aquilo a que a Ucrânia tem direito, nomeadamente a sua soberania e a inviolabilidade das suas fronteiras, acaba por se tornar inevitável uma solução à força, pior para a Ucrânia. Foi isso que aconteceu", resume.

Apesar de já terem havido outras tentativas de Donald Trump para pôr fim ao conflito na Ucrânia, "esta parece mais séria", assume o comentador. "Porque está lá a cúpula militar dos EUA a acompanhar o negociador Steve Witkoff e não está o Departamento de Estado, não está Marco Rubio [secretário de Estado norte-americano], que é conhecido por ter uma posição mais pró-Ucrânia", explica.

O plano agora proposto pela administração Trump prevê várias concessões da Ucrânia à Rússia, desde logo o Donbass, e a redução militar dos ucranianos. Para a Rússia, só há uma penalização, segundo o comentador: "É parar a guerra, numa altura em que está a ganhá-la."

Algo que surpreendeu Miguel Sousa Tavares foram as declarações de Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, que se insurgiu contra este plano. Isto porque, segundo o comentador, "a Europa pôs-se de fora de qualquer solução de paz".

"A Europa nunca fez uma tentativa para chegar à paz na Ucrânia. O problema de tudo isto - e a Ucrânia é que está a pagá-lo - é que a Europa convenceu Zelensky de que ele podia derrotar a Rússia, desde o início, com o apoio, com as armas dos europeus", critica o comentador. 

"E, quando se está numa posição péssima para negociar, não se consegue uma negociação justa. Consegue-se a negociação possível. Está nas mãos de Zelensky escolher se quer continuar a ter mortos ucranianos ou se quer chegar a um mau acordo", defende.

"Uma manobra de batota processual" e arguidos em "banho-maria": os "abusos" da Justiça nos casos TAP e Costa

Miguel Sousa Tavares considera que estamos a assistir a um "abuso" por parte da Justiça em várias situações, desde logo nas buscas à TAP e nas escutas ao ex-primeiro-ministro António Costa, no âmbito da Operação Marquês.

Na rubrica 5.ª Coluna do Jornal Nacional da TVI, o comentador afirma que "todo o processo de privatização da TAP começou mal, continua mal e é muito provável que acabe mal", sobretudo quando as autoridades decidem fazer buscas relacionadas com a privatização da companhia aérea em 2015 "quatro dias antes de terminar o prazo para que os candidatos à compra da TAP apresentassem as suas propoostas"

"É uma coisa que nao cabe na cabeça de ninguém. Esta gente não pensa no interesse público? O que é que lhes custava esperar quatro dias?", questiona-se o comentador, apontando a coicindência das buscas judiciais noutras ocasiões. "Ou é eleições, ou é vendas do Estado. E eu pergunto: se o procurador-geral da República não controla isto, para que serve o procurador-geral da República?".

Ainda sobre as buscas relacionadas com a privatização da TAP, Miguel Sousa Tavares verifica "uma tendência para se fazerem buscas nos escritórios dos advogados, que era uma coisa proibida, porque os advogados estão protegidos pelo sigilo profissional das relações com os seus clientes".

"Agora, o Ministério Público está a considerar os advogados arguidos e, assim, já pode ter acesso à sua correspondência privada", explica o comentador, descrevendo esta ação judicial como "uma manobra de batota processual". "De facto, só depois de irem ver a correspondência é que eles [no Ministério Público] podem saber se têm ou não indícios de algum crime contra o advogado. Mas não. Constituem logo o arguido para poderem avançar."

Sobre o caso das escutas a António Costa, Miguel Sousa Tavares denuncia o "absurdo" da situação. "De facto, está a tornar-se perigoso. Estamos a falar de um primeiro-ministro que está há anos sob escuta. Um primeiro-ministro que esteja sob suspeita tem de ser imediatamente esclarecido e, se há razão para isso, avança-se contra ele criminalmente", argumenta.

"Agora, este banho-maria processual em que as pessoas são mantidas é absurdo, não faz nenhum sentido", critica o comentador.

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