Miguel Sousa Tavares visou também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sobre a sua posição relativa ao Conselho da Paz
Miguel Sousa Tavares defendeu esta quinta-feira, no seu espaço semanal de comentário no Jornal Nacional, 5.ª Coluna, que uma Europa unida conseguirá fazer frente a Donald Trump.
“O que ficou demonstrado é que se a Europa se unir, se for firme, consegue fazer frente a Trump”, disse Sousa Tavares.
O comentador da TVI disse que o Velho Continente estava “finalmente” a reagir aos ímpetos do presidente dos EUA e que precisa “urgentemente de ter vias alternativas em matéria económica”.
“Por exemplo, o acordo com a Índia, que segundo Von der Leyen está iminente, vai abrir à Europa, não vou dizer que é um mercado de 1100 milhões de pessoas, porque dois terços dos indianos não têm dinheiro para comprar produtos europeus, mas são 200, 300 milhões. Podemos acrescentar a Austrália, o Canadá, o Japão, a própria China e o Mercosul”, explicou Sousa Tavares, lamentando que este último acordo, “essencial para a Europa, tenha sido temporariamente bloqueado pela “grande coligação dos riquíssimos agricultores europeus”.
Sousa Tavares defende também que a Europa deve recuperar o terreno perdido nos capítulos da inovação e tecnologia e que tem de aproveitar “a perseguição de Trump a tudo o que é intelectual” e trazer os académicos “para cá”.
O comentador da TVI criticou ainda a iniciativa de Trump, o Conselho da Paz, lançado em Davos esta semana.
“É uma espécie de sociedade anónima em que não há acionistas, só há administradores, cada um dos quais paga mil milhões de dólares para estar ali. Aquilo chama-se ‘Board of Peace’. ‘Board’ quer dizer administração em inglês, não é ‘Council of Peace’, é ‘Board of Peace’”, começou por referir. “[Trump] é o chairman vitalício. Estão ali todos alinhados, aqueles trinta, a fazer figura de tansos, e ele entra como se fosse o rei da Pérsia. ‘Vá, agora, vá, batam palmas, abanem a cabeça’”, disse, salientando que há muitas ditaduras entre os Estados que, para já, integram este conselho.
A propósito desta iniciativa, Sousa Tavares visou também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
“Quando vejo o ministro dos Negócios Estrangeiros dizer que está a pensar o que é que há de fazer em relação ao Conselho da Paz… está sempre a pensar atrás dos outros, a ver se há oito países, para alinharmos com os oito. Ele nunca se quer alinhar com ninguém, ele quer aninhar-se nos braços de alguém que o proteja, para não ter de ter política externa. Portugal é um não-país em termos de política externa.”