Miguel Sousa Tavares olhou para a polémica que envolve Marques Mendes e acredita que "não vai ficar por aqui": "Quanto mais se esgravatar, mais coisas virão"

CNN Portugal , TFR
18 dez 2025, 22:01

"Quanto mais se mexer, quanto mais se esgravatar, mais coisas virão", diz Sousa Tavares sobre a polémica que envolve Marques Mendes

"Acho que os portugueses ainda não perceberam. Nós vamos deixar de ter prestações sociais por causa do esforço de armamento que estamos a fazer"

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Confrontado com o impacto que este caso pode ter numa eventual candidatura presidencial, Sousa Tavares admite que “pode ser seguramente um embaraço”

Miguel Sousa Tavares analisou a polémica em torno de Marques Mendes e está convicto de que o caso está longe de encerrado. No espaço de comentário 5.ª Coluna, do Jornal Nacional da TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal, o comentador considera que as notícias conhecidas esta semana são apenas o início de um processo que tende a ganhar novos contornos à medida que for sendo escrutinado.

Questionado sobre a investigação da revista Sábado que aponta para rendimentos de cerca de 700 mil euros em dois anos como consultor de uma sociedade de advogados do agora candidato presidencial, Sousa Tavares foi taxativo: “Isto não vai parar por aqui. Não vai.” E explicou porquê: “Quanto mais se mexer, quanto mais se esgravatar, mais coisas virão.”

Para o comentador, há paralelismos evidentes com outros casos recentes da vida política portuguesa. “É engraçado porque tem muitas coisas parecidas com o caso Spinumviva. Desde logo ser uma empresa familiar também, com a mulher e os filhos também. Não é uma empresa só dele”, afirmou, lembrando ainda o silêncio em torno dos clientes como outro ponto sensível: “Depois, o facto dele também não querer dizer quem são os clientes. Para quem é que trabalhou na Abreu Advogados? Diz que só a Abreu Advogados é que pode dizer.”

Este argumento é rejeitado por Miguel Sousa Tavares. “Não é verdade. Ele pode dizer. Não há nenhum segredo profissional que o impeça a dizer quem foram os advogados”, sublinha, acrescentando que a única limitação possível seria quanto ao conteúdo concreto do trabalho realizado. 

Confrontado com o impacto que este caso pode ter numa eventual candidatura presidencial, Sousa Tavares admite que “pode ser seguramente um embaraço”, embora reconheça que o comportamento do eleitorado nem sempre corresponde às expectativas. “Não sei até que ponto é que os portugueses realmente estão fartos destas coisas”, afirma, recordando que em situações anteriores “os portugueses não votaram conforme, por exemplo, Pedro Nuno Santos imaginou”, quando Luís Montenegro, sob suspeitas no caso Spinumviva, venceu as legislativas.

Ainda assim, deixa claro o grau de exigência que uma candidatura a Belém implica. “Se ele ganha a eleição para Presidente da República, ele tem de ter, e nós temos que acreditar que ele tem, um passado limpo. Que não esteve a fazer tráfico de influências para nenhuma empresa.” E remata: “Porque é isso que se chama consultor de um escritório de advogados. O que na prática faz é isso. Como diz Isaltino Moraes.”

PGR teve uma atitude "extraordinária" no caso da Spinumviva

Sobre o caso Spinumviva, a empresa familiar do primeiro-ministro, Miguel Sousa Tavares tem sérias dúvidas sobre a postura adotada por Amadeu Guerra, de quem saiu a "infeliz" referência da “prenda de Natal”. “A prenda de Natal acho que foi uma infelicidade dele”, diz, rejeitando a ideia de ter sido retirada do contexto. “Não sai de contexto nenhum.” E questiona: “O que é que ele chamará por oposição ao que se passa com António Costa?”

O comentador vai mais além nas criticas. “Eu não percebi o que é que o procurador queria dizer quando pediu escusa. Pediu escusa de quê? Pediu escusa de olhar para o processo? Aliás, ele a certa altura também diz que não acompanhou todas as diligências. Eu pergunto-me, então, um primeiro-ministro está sobre investigação e o procurador-geral da República não quer saber o que é que se passa? Não quer saber se está a ser bem investigado ou não? É extraordinário”, defende.

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