Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM
opinião
Comentador

Miguel Sousa Tavares teme pelas promessas a Netanyahu, por um Trump "em roda livre" e pelo "enriquecimento privado" no FC Porto

16 jan 2025, 22:45

No seu espaço habitual de comentário no Jornal Nacional, 5.º Coluna, Miguel Sousa Tavares analisou o acordo de cessar-fogo em Gaza, o regresso de Donald Trump à Casa Branca e ainda a auditoria forense ao FC Porto, do qual é adepto

Miguel Sousa Tavares diz que é preciso esperar "até ao último minuto" para ver se o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas vai mesmo avançar e se será cumprido.

"Há ali uma sede de continuar com a destruição e a matança em Gaza, que não sei se conseguirá parar. É assintomaticamente mau que Israel tenha dito que o Hamas apresentou alterações na última hora, já tinha feito o mesmo com o Hezbollah no Líbano, e depois acabou por haver acordo. Portanto, eu acho que é uma má indicação, assim como é má indicação que a decisão do gabinete israelita tenha sido adiada de hoje para sexta e de sexta para sábado. Até à última, portanto", analisou o comentador da TVI, esta quinta-feira, no seu espaço semanal de comentário no Jornal Nacional, 5.ª Coluna.

Ainda assim, para se chegar aqui, há um "elemento decisivo", que "acabou por ser Donald Trump", presidente eleito dos Estados Unidos que, para Miguel Sousa Tavares, "deu alguma coisa em troca" a Benjamin Netanyahu. "Por alguma razão, os israelitas nunca quiseram fazer este acordo, porque isto podia ter sido feito em maio. E de maio até aqui morreram mais de 18 mil palestinianos. De facto, o acordo é o mesmo, só há detalhes que são mais ou menos insignificantes, mas foi claro que Israel não quis fazer o acordo antes das eleições americanas, para falar com Trump e não com Biden. O que Trump terá dito aos israelitas para eles aceitarem o acordo é um mistério, mas eu creio que, por baixo da mesa, deu alguma coisa em troca Netanyahu."

E essa oferta terá sido, antecipa o comentador da TVI/CNN Portugal, "apoio na guerra de Israel contra o Irão".

Continuando com Donald Trump, mas desta feita sobre o seu regresso à Casa Branca, Miguel Sousa Tavares considera que os americanos só vão reconhecer o legado de Joe Biden "daqui a uns tempos", como a criação de 17 milhões de empregos sem recuar na luta contra as alterações climáticas.

"Os americanos vão dar a posse a um presidente que o Departamento de Justiça americano considerou autor de um golpe de estado contra a democracia e contra as eleições, mas que só pode ser julgado por isso daqui a quatro anos. Ninguém está acima da lei, nem o presidente dos Estados Unidos, como disse Biden. A partir de agora passou a estar. A partir de agora vale aquilo que Trump disse em tempos: 'eu posso matar alguém na 5.ª Avenida e não me acontece nada'. E isso é verdade", recorda.

Para Miguel Sousa Tavares, "só há uma força nos Estados Unidos, que nunca foi usada e que eventualmente poderá dizer 'alto', que é o Exército, as Forças Armadas". "Nomeadamente, se ele chamar as Forças Armadas, por exemplo, para deportar os 14 milhões de imigrantes que ele quer deportar, chamar as Forças Armadas para manifestações, por exemplo. Isso foi perguntado a Pete Hegseth, que vai ser o secretário de Estado da Defesa, o dono do Pentágono, se ele iria usar as Forças Armadas para ajudar a expulsar imigrantes dos Estados Unidos e ele fugiu à pergunta."

O comentador lembra que se no primeiro mandato Trump "não conhecia o meio e foi buscar alguns republicanos tradicionais", "agora não há ninguém". "Agora não há adultos na sala. Agora é Trump em roda livre."

Por fim, Miguel Sousa Tavares, adepto portista, comentou a auditoria forense ao FC Porto, pedida pelo novo presidente André Villas-Boas, e cujos resultados não o surpreenderam.

"Há muito tempo já que eu tinha percebido que o FC Porto era um clube de amigos, que geriam aquilo como um clube de amigos. Fiquei surpreendido porque estava à espera de muito pior. Não é por acaso que quando Villas-Boas chegou lá havia 7 mil euros em caixa.

"Eu acho que o FC Porto teve o seu 25 de Abril. Confio que daqui para a frente as regras de transparência que estão a ser estabelecidas por André Villas-Boas vigorem mesmo, para que nunca mais isto aconteça. Agora, não sei como é que as pessoas vão conseguir, por um lado, perceberem a realidade do que se passou e por outro continuarem a venerar Pinto da Costa."

Miguel Sousa Tavares sublinha que "os sócios fazem sacrifícios para pagar quotas, fazem sacrifícios para ir aos jogos, fazem sacrifícios para seguir a equipa". "Se no fim nós percebemos que ali no meio está um punhado de sócios que tomou conta do clube e fez daquilo um caso de enriquecimento privado com os dinheiros do clube, isto não tem perdão, não tem desculpa."

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Comentadores

Mais Comentadores