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Miguel Sousa Tavares está espantado por ninguém ter questionado Montenegro sobre a "guerra gravíssima em que nos pode estar a envolver"

19 fev, 22:46

 

 

Em causa estão as Lajes, o Irão e Epstein. E Trump, o "suficientemente louco" Trump

Miguel Sousa Tavares acredita que Donald Trump é capaz de iniciar uma guerra com o Irão "só para desviar as atenções" que recaem sobre ele nos ficheiros Epstein.

No seu habitual espaço de comentário no Jornal Nacional da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), Miguel Sousa Tavares explica que um eventual ataque norte-americano ao Irão irá provocar "uma crise gravíssima", "uma guerra gravíssima", com consequências que vão além de um conflito circunscrito ao Médio Oriente.

"Se ele [Donald Trump] for para a frente com isto, estamos perante uma crise gravíssima. O Irão não é um exército qualquer", afirma o comentador, apontando que as Forças Armadas do Irão são compostas por mais de 600 mil soldados e incluem três mil mísseis.

Além disso, Miguel Sousa Tavares afirma que "o Irão é o grande abastecedor de petróleo da China", a par da Rússia. "Os EUA não podem fazer à China o mesmo que fizeram a Cuba, que é cortar o abastecimento de petróleo. E a China tem forma de retaliar - por exemplo, tem terras raras de que os EUA precisam e tecnologia que os EUA usam e de que precisam", sublinha o comentador.

"Portanto, um conflito no Irão não será um conflito localizado, será muito maior do que isso", antecipa Miguel Sousa Tavares.

Ameaças ao Irão são distrações de Trump

Mesmo assim, Sousa Tavares acredita que o presidente dos EUA é capaz de lançar uma guerra para "desviar as atenções" do caso Epstein, que envolvem o próprio Trump.

"Eu acho que Trump é suficientemente egoísta, narcísico, louco e irresponsável para estar a usar o Irão como manto para cobrir o sarilho do caso Epstein, onde ele, obviamente, está metido até às orelhas", teoriza o comentador, sustentando que a estratégia da procuradoria-geral norte-americana de divulgar os ficheiros "a conta-gotas" e censurando tudo exceto os nomes de algumas pessoas mostra isso mesmo: "É para diluir a culpa toda e para desviar as atenções de Trump".

Miguel Sousa Tavares acredita também que as revelações sobre André Mountbatten-Windsor, por exemplo, também surgiram agora "para desviar as atenções de Trump".

"Este homem [Trump] é suficientemente louco e irresponsável para lançar o mundo numa guerra gravíssima só para desviar as atenções sobre as acusações suspeitas que há sobre ele", insiste o comentador.

A propósito deste tema, Sousa Tavares questiona por que razão nenhum deputado aproveitou o debate quinzenal desta quinta-feira com o Governo para "perguntar ao primeiro-ministro se os EUA pediram autorização para usar a base das Lajes", onde foram vistas movimentações semelhantes às registadas em junho do ano passado, aquando do ataque norte-americano ao Irão.

"Não vi ninguém perguntar ao primeiro-ministro se os EUA pediram autorização para usar as Lajes e se o primeiro-ministro está consciente daquilo em que nos pode estar a envolver. Isto não é só a guerra dos seis dias, não é só a guerra do Iraque, é uma coisa muito mais séria."

Conselho da Paz "não vai resultar como substituto da ONU"

Miguel Sousa Tavares abordou ainda a primeira reunião desta quinta-feira do Conselho de Paz, um órgão criado pelo presidente norte-americano que, nas palavas de Trump, vai "supervisionar" a ONU. 

Na perspetiva de Miguel Sousa Tavares, a criação deste organismo só "confirma que Trump quer boicotar as Nações Unidas" - algo que, segundo o comentador, não vai acontecer.

É que, "apesar de tudo", diz o comentador, "as Nações Unidas garantiram alguma espécie de paz entre os blocos nestes 60 anos" desde a sua fundação. Isso deve-se ao facto de o Conselho de Segurança ser composto por "cinco países que são as potências nucleares", nomeadamente EUA, Rússia, China, França e Reino Unido. 

Ora, acontece que, desses cinco países, apenas os EUA integram o Conselho de Paz. "Está a ausente a China, está ausente a Rússia, está ausente Inglaterra e está ausente França", enumera Sousa Tavares. 

Daí que o comentador acredite que este organismo criado por Donald Trump "não vai resultar como substituto das Nações Unidas".

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