Comentador da TVI/CNN Portugal considera que o Executivo sacrificou "investimento produtivo, que criaria riqueza"
Miguel Sousa Tavares trouxe esta semana, à rubrica 5.ª Coluna, do Jornal Nacional da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), uma crítica que resume numa frase: "Isto é gozar com quem paga impostos". O comentador condena a forma como o Governo tem gerido as contas públicas e destaca dois casos concretos que considera "escandalosos".
"Vamos no terceiro trimestre consecutivo em que o Governo se está a endividar mais", afirma, referindo-se à gestão orçamental.
No entanto, prossegue Sousa Tavares, essa realidade não é percetível na comunicação oficial porque o discurso é "feito em função do PIB". Recorda que o atual Executivo "recebeu as finanças públicas com um superavit de 2%" e deverá apresentar "0,1% este ano", e isso apenas "porque cortou investimentos do PRR".
Para o comentador, o Governo "sacrificou investimento produtivo, que criaria riqueza, para poder gastar mais na despesa corrente". O resultado, diz, é "mais de 6 mil milhões de dívida acumulada", o que implica "custos, juros e serviço da dívida".
"Isto não é um escândalo, é o escândalo"
O primeiro caso que o comentador destaca é o do Novo Banco, que classifica como "verdadeiramente gozar com quem trabalha".
Recorda que, em 2014, o banco recebeu 4.900 milhões de euros do erário público, com o então governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a garantir que "não haveria mais um cêntimo" e a ministra Maria Luís Albuquerque a assegurar que o Estado "não pagaria nada de prejuízos do Novo Banco".
"O que é certo é que o banco foi dividido em 'bom' e 'mau' e o que ficou no bom - hotéis, seguradoras, imóveis, herdades - foi sendo vendido ao desbarato", aponta.
Segundo Miguel Sousa Tavares, "descobre-se agora que alguns gestores fizeram negócios consigo próprios e vão ser remunerados com 1.100 milhões de euros após a venda do Novo Banco aos franceses".
"O Estado já lá pôs 8.500 milhões de euros. Isto não é um escândalo, é o escândalo", conclui.
"Estão a brincar connosco quando dizem que não vai custar nada"
O segundo caso apontado por Miguel Sousa Tavares é o do novo aeroporto de Lisboa.
O comentador lembra que a ANA - Aeroportos de Portugal, detida pela Vinci, ficou com "o monopólio da exploração de praticamente todos os aeroportos do país", o que considera "um erro colossal que nenhum outro país do mundo cometeu".
De acordo com o caderno de encargos da concessão, a Vinci deveria financiar o novo aeroporto "sem custos para os contribuintes". No entanto, sublinha, "a realidade é outra":
"Os terrenos são do Estado, logo, há um custo público. E agora querem começar já a cobrar taxas mais altas e prolongar a concessão até 2092."
Para Miguel Sousa Tavares, a operação é tudo menos neutra para os cofres públicos: "Quando o Estado abdica de uma receita a favor de alguém, está a ter um custo. Estão a brincar connosco quando dizem que o aeroporto não vai custar nada ao Estado."