opinião
Comentador

Caso dos GNR detidos por exploração de imigrantes em Beja "é gravíssimo": "Estamos perante uma organização mafiosa, onde os bandidos são agentes de autoridade"

4 dez 2025, 22:21

 

 

Na 5.ª Coluna desta semana, Miguel Sousa Tavares criticou a atuação da justiça num caso que chocou o país: os 10 militares da GNR que tinham sido detidos por suspeitas de exploração de imigrantes em Beja regressaram ao serviço. "Este caso é gravíssimo", denuncia o comentador

Miguel Sousa Tavares "começa a desconfiar" que as preocupações manifestadas pelo Ministério Público (MP) sobre uma eventual fuga de José Sócrates do país tiveram como objetivo abafar o caso dos militares da GNR detidos por exploração de imigrantes em Beja.

Na rubrica 5.ª Coluna desta semana, no Jornal Nacional da TVI, Miguel Sousa Tavares admite ter ficado "surpreendido" com a decisão da juíza, que invalidou as escutas que envolviam os militares em causa.

"As escutas estão, lá, em formato áudio. Ela [a juíza] queria-as em papel, também. Se estivesse só em papel, ela não ia verificar se correspondia ao áudio?", questiona o comentador, que admite estar "preocupado" com a sugestão de que "um juiz recebe escutas transcritas em papel e confia que está tudo bem."

Os 10 militares da GNR que tinham sido detidos por suspeitas de exploração de imigrantes no Alentejo, acabaram por sair em liberdade com termo de identidade e residência (TIR) e voltaram esta terça-feira ao serviço. "Este caso é gravíssimo", sublinha Miguel Sousa Tavares. "Estamos perante uma organização mafiosa, em que os bandidos são agentes de autoridade, que voltaram todos ao serviço."

Ressalvando que não conhece a lei, o comentador conclui que, "aparentemente, estamos perante mais uma argolada do Ministério Público", envolvendo escutas.

"Não me admira que, no meio disto tudo, eles [no MP] queiram desviar as atenções, dizendo que estão preocupados com a possível fuga de José Sócrates, porque foi quatro vezes ao estrangeiro. Eu ficava preocupado é se ele nunca tivesse ido ao estrangeiro ou se tivesse ido, não tivesse voltado. Agora, foi quatro vezes, voltou sempre, isso é sinal de fuga evidente? Há aqui qualquer coisa que não bate bem."

Daí que coloque em hipótese a possibilidade de o Ministério Público ter usado a preocupação com a fuga de José Sócrates para abafar este caso. "Começo a desconfiar que sim. Hoje em dia a minha confiança no MP é zero. Por alguma razão sou um dos subscritores do Manifesto dos 50", sublinha, referindo-se a um manifesto a favor da reforma da Justiça, subscrito por diversas figuras públicas.

Colunistas

Mais Colunistas