Se a moção de confiança avançar, PS e Chega já disseram que votam contra, o que fará cair o Governo
O comentador da CNN Portugal e ex-ministro do PSD Miguel Relvas defendeu que o Governo deve ser claro e “não ter medo de apresentar uma moção de confiança”, considerando que o primeiro-ministro cometeu um erro ao não se ter afastado da empresa familiar.
“O Governo não tem de ter medo de apresentar uma moção de confiança. Era o que eu teria feito no sábado, de uma forma muito clara, dizer ao parlamento que entre a parede e a espada não tenho medo de escolher a espada, não tenho medo de devolver aos portugueses a sua decisão”, defendeu Miguel Relvas, na CNN.
O antigo ministro do Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho considerou que se vive “um momento muito negativo” da democracia portuguesa e, dizendo estar convicto de que o primeiro-ministro não cometeu qualquer ilegalidade, considerou que teve “erros de comunicação” e de avaliação, no momento em surgiram as notícias sobre a empresa Spinumviva e foi confrontado com um eventual conflito de interesses,
“Devia ter feito o mesmo que fez o ministro Castro Almeida: que no mesmo dia que foi público [que tinha uma empresa na área do imobiliário] a vendeu e deixou de ser notícia, deixou de existir”, afirmou o antigo secretário-geral do PSD. Que lembrou o seu próprio caso: "Quando fui ministro encerrei uma empresa que tinha".
Relvas avisou que “o maior ativo que um Governo tem é o ativo e a imagem do primeiro-ministro”.
“Quem ganhou as eleições há um ano não foi o PSD, foi o PSD com o dr. Luís Montenegro. E se o PSD quer continuar a ter um clima de estabilidade política, precisa que o primeiro-ministro se ausente deste tipo de notícias, e só uma pessoa que o pode fazer, é ele, mais ninguém”, disse.
Sobre um aparente afastamento entre primeiro-ministro e Presidente da República, que segundo a SIC não falam desde a comunicação ao país, Miguel Relvas lamentou alguma falta de reserva, mas advertiu que pode ser “muito perigoso” para um Governo sem maioria e “que está ferido ter o Presidente da República numa atitude mais apertada e em que demonstra uma insatisfação em relação aos comportamentos”.
“O Governo tem que simplificar procedimentos, tem de ser claro, tem de ser corajoso”, afirmou, salientando que uma moção de censura, para ser aprovada, exige o voto favorável de 116 deputados, enquanto a moção de confiança apenas requer maioria simples (mais votos a favor do que contra).
No domingo, em comentários televisivos, também o ex-ministro do PSD Miguel Poiares Maduro defendeu na RTP que Luís Montenegro já devia ter encerrado a empresa Spinumviva, idêntica posição assumida na TVI pelo anterior líder do CDS-PP Paulo Portas.