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Crise nas urgências: Ordem dos Médicos faz apelo ao Ministério da Saúde por causa do Algarve

25 jun 2022, 22:28

Região é a mais afetada e Miguel Guimarães teme a chegada do verão, que vai aumentar o número de residentes

O bastonário da Ordem dos Médicos lançou este sábado um apelo ao Ministério da Saúde, tendo em vista a crise nas urgências dos hospitais, nomeadamente nas especialidades de Obstetrícia e Ginecologia.

Em entrevista à CNN Portugal (do mesmo grupo da TVI), Miguel Guimarães afirma que a situação não deverá estar resolvida até ao verão, admitindo depois que essa é uma altura do ano que pode forçar o stress na região do Algarve, atualmente a mais afetada pela crise nas urgências.

“É muito pouco provável que até ao verão a situação esteja resolvida”, diz, esperando que exista um plano de contingência bem-adaptado para enfrentar o que aí vem. Sobre o Algarve, e lembrando que, por causa das férias, aquela região pode chegar a triplicar a sua população, Miguel Guimarães refere que “o Ministério da Saúde devia ter a preocupação de fazer um reforço muito especial no Algarve”.

“Não é só em Pediatria e Obstetrícia. É num conjunto de especialidades que vão necessitar de mais capital humano, seja em Faro ou em Portimão”, acrescenta, mencionando a previsível chegada de turistas estrangeiros à região, o que pode fazer subir o número de população para 1,5 milhões de pessoas, quando fora da época de verão não ultrapassa as 500 mil.

Questionado sobre como poderá ser resolvida a situação, o bastonário da Ordem dos Médicos explica que devem ser desenhados planos de contingência para que o circuito “possa fluir de forma mais rápida”. Na prática, o objetivo é comunicar atempadamente que determinado hospital vai estar fechado em determinada data, prevenindo assim que uma pessoa se desloque de forma necessária até ao local.

Mas a questão, nota Miguel Guimarães, acaba por ser “estrutural”, um “problema com vários anos”. O responsável refere-se à modernização do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente através de melhores condições para os profissionais de saúde, incluindo a valorização da profissão.

“Estamos apenas a ver a ponta do icebergue”, avisa.

Até porque, mesmo havendo mais médicos em Portugal, “a carga de doença crónica tem aumentado”, o que acaba por também exigir mais do serviço público. Além disso, o facto de a população médica também estar a “envelhecer” é outro fator a ter em atenção.

O bastonário da Ordem dos Médicos afasta a hipótese de haver uma má gestão dos serviços, referindo que o problema existe, sobretudo, nos serviços de urgência: “Existe uma dependência excessiva de empresas prestadoras de serviços”.

A chegada do verão também motivou a Direção-Geral da Saúde a emitir um alerta, pedindo à população que tenha cuidado para não adoecer em agosto, mês em que se teme que os hospitais possam estar com os serviços mais afetados.

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