Operação foi autorizada pela Assembleia da República, com a concordância do grupo parlamentar do Chega
A PSP está neste momento na Assembleia da República para apreender um conjunto de malas de viagem que o deputado Miguel Arruda ali guardava - e que não foram apreendidas durante a operação de buscas da última semana, quando o deputado foi constituído arguido por suspeitas de furto de malas nos aeroportos de Lisboa e Ponta Delgada.
A CNN Portugal sabe que não se trata de uma operação de buscas ao gabinete ocupado pelo deputado no Parlamento, com mandado judicial, mas de uma entrega autorizada pela presidência da Assembleia da República, com a concordância do grupo parlamentar do Chega.
No entanto, a Assembleia da República optou por utilizar a palavra "buscas" no comunicado feito a confirmar a ocorrência.
“Foram realizadas buscas e apreensões no gabinete do deputado Miguel Arruda na Assembleia da República. Esta ação foi presidida por magistrada do Ministério Público, tendo a Assembleia da República prestado toda a colaboração na realização da diligência”, refere-se.
A CNN Portugal sabe que foram encontradas quatro malas e alguns sacos de desporto. Dentro das bagagens foi encontrado material que é considerado furtado.
Recorde-se que na operação inicial as buscas incidiram sobre as casas do deputado em Lisboa e nos Açores.
Existem, no entanto, suspeitas de que as malas depois encontradas e fotografadas no gabinete que o deputado usava também tenham sido furtadas por Miguel Arruda no aeroporto de Lisboa.
Ainda sobre esta operação, a assessoria de imprensa do Chega divulgou uma mensagem segundo a qual o partido “autorizou hoje que as autoridades policiais e judiciárias se deslocassem ao gabinete” do deputado Miguel Arruda, que passou à condição de não inscrito na sexta-feira.
Segundo o partido liderado por André Ventura, “as autoridades pediram acesso e o Chega facultou esse acesso depois de já ter alertado o presidente da Assembleia da República, na ultima quinta-feira, para a situação e tendo solicitado, por email, a remoção das malas”.
Miguel Arruda, que foi cabeça de lista do Chega pelo círculo dos Açores, foi constituído arguido por suspeitas de furtar malas no aeroporto, durante as viagens entre Lisboa e Ponta Delgada, depois de terem sido efetuadas buscas em sua casa.
Na sexta-feira, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, anunciou que o deputado eleito pelo Chega no círculo dos Açores – constituído arguido por suspeita de futuro de malas nos aeroportos de Lisboa e Ponta Delgada - tinha passado à condição de não inscrito.