Miguel Arruda desfiliou-se do Chega e passa a deputado não-inscrito após ter sido alvo de buscas por suspeita de furto de malas em aeroportos. Sobre novas suspeitas que surgiram nas redes sociais - de que terá vendido na Vinted roupa que estava nas malas -, não tem a certeza se tem uma conta nesse serviço com o nome "miguelarruda84" mas sublinha que, a ter, só servia para vender camisas dele: "Emagreci, como devem ter visto nos últimos tempos". Quem aparentemente tem uma conta na Vinted é a mulher do deputado, "para ela se entreter um bocadinho". Quanto às provas-vídeo que as autoridades têm, Miguel Arruda avança com uma teoria: inteligência artificial (IA)
O deputado Miguel Arruda esteve presente esta quinta-feira no Jornal Nacional da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) a propósito do caso em que é suspeito de furtar malas de viagem nos aeroportos de Lisboa e Ponta Delgada.
Miguel Arruda diz que, quando foi apanhado em flagrante delito, estava apenas a cometer um “lapso”. Questionado sobre se roubou as malas, o deputado escudou-se no segredo de justiça para não explicar.
“Está tudo em segredo de justiça, não posso falar sobre essa questão. Já disse que foi um lapso, mas não posso falar sobre ela. (…) Até trânsito em julgado, eu estarei inocente. Estamos num Estado de direito. O tempo da caça às bruxas já acabou”, disse Miguel Arruda a Sandra Felgueiras. “Não posso explicar porque está em segredo de justiça. Estou inocente, isso posso dizer.”
Sobre as imagens de videovigilância que alegadamente o mostram a furtar as malas, o agora deputado não-inscrito tem uma teoria. “Perante as novas tecnologias, até podem aparecer imagens de inteligência artificial a demonstrarem isso”, insinua.
Nas últimas horas surgiram nas redes sociais screenshots que mostram uma conta da Vinted com o nome “miguelarruda84”. Questionado sobre se essa conta lhe pertence – o deputado nasceu em 1984 -, Miguel Arruda não confirmou, mas também não negou.
“Eu não sei de que conta está a falar. Talvez (a possa ter criado), não sei. Tenho memória de ter criado uma conta para vender umas coisas, não sei se cheguei a vender. Acho que cheguei a comprar mais (do que vendi)”, explica. “Não fazia negócios, se fazia era de umas camisas minhas da Primark ou lá o que é, porque depois eu emagreci, como devem ter visto nos últimos tempos”.
Arruda referiu também que a conta pode pertencer à sua mulher. “Penso que ela tem uma conta na Vinted para se entreter um bocadinho”.
Questionado acerca do porquê de ter as malas em sua posse, o deputado referiu que “mandava vir mercadoria de vários sites como, por exemplo, a Vinted, da AliExpress, da Shein, da Temu, que chega muito mais rapidamente ao continente”. A mercadoria seria depois levada para os Açores, para a sua mulher e para as suas filhas.
“É um facto que trazia malas minhas, são minha propriedade, e que as trouxe para o continente português vazias e que depois levava para os Açores com mercadoria que comprava cá ou mandava vir da Internet porque cá recebemos muito mais rapidamente.”
Durante a entrevista, Miguel Arruda afirmou que lhe foram apreendidas quatro malas nos Açores e três na sua casa em Lisboa. Disse também que tinha duas malas no Parlamento, afirmação que negou pouco tempo depois. Nega ainda que estivessem à sua espera no aeroporto uma juíza e elementos do Ministério Público – “ainda demoraram uma hora e meia ou duas horas a chegar”.
O deputado considera, de igual modo, que há a possibilidade de todo este caso ser uma cabala política. “Com o desenvolvimento dos tempos e da maneira que me querem crucificar, já cheguei a pensar que isto tem conotações políticas, por andar a atacar certos e determinados interesses que estão instalados nesse país. Quando comecei a atacar esses interesses, fui logo atacado, fui logo silenciado.” Instado a dizer quem o está a silenciar, Arruda respondeu que “não estou a falar de ninguém em particular”.
Miguel Arruda reiterou a sua inocência. “Com certeza que irei encontrar uma justificação para isto, tudo dentro das conformidades, tudo dentro da lei. Sou uma pessoa que cumpre a lei, sempre cumpri durante toda a minha vida, em que fui militar inclusive. Não têm nada a apontar-me durante a minha vida toda até este preciso momento que estou a ser crucificado na comunicação social. Estão a fazer um julgamento em praça pública que eu não posso admitir”, afirmou.
“Sou uma pessoa humilde, vivo num apartamento exíguo, não dá para ter (lá) malas”.