Mulher de Arruda cúmplice no crime: "É bonita, fico com a carteira. Mas sabes que há câmaras no aeroporto? Que vergonha"

8 jan, 20:29

Depois de desviar malas alheias no aeroporto de Lisboa, Miguel Arruda espalhava a roupa e outros bens, como perfumes, em cima da cama, e enviava fotografias de tudo à mulher

O Ministério Público, na acusação ao ex-deputado Miguel Arruda por 21 furtos de malas no aeroporto de Lisboa, a que a TVI e a CNN Portugal tiveram acesso, faz o inventário de todos os bens no valor de dezenas de milhares de euros encontrados em casa e no gabinete do então parlamentar do Chega na Assembleia da República - e revela a cumplicidade de Ana Arruda, mulher do suspeito, em todo o esquema, denunciada nas trocas de mensagens por WhatsApp entre o casal, com Ana a confessar “vergonha” e “medo” que o marido fosse apanhado “pelas câmaras”, mas sem resistir a ficar, para ela, com peças de marca. 

Miguel Arruda, depois de desviar malas alheias nos tapetes rolantes, e de as levar para casa, em Lisboa, espalhava a roupa e outros bens, como perfumes, em cima da cama, e enviava fotografias de tudo à mulher, que estava em Ponta Delgada, dando início a trocas de mensagens como esta, a 16 de outubro de 2024, a propósito de uma carteira da marca LouisVuitton: 

Miguel: “Queres para ti? Ou vendo?” 
Ana: “Onde arranjaste isso?
Miguel: “Não interessa, heheheh. Queres ou não? É original”.
Ana: “Sabes que há câmaras nos aeroportos? Eu gosto e fico com esse, mas não se faz mais isso, please. Que medo de seres apanhado. Que vergonha”. 

Na mesma madrugada, o deputado envia à mulher a fotografia de outra carteira, da marca Trussardi, e reatam o diálogo. 
Ana Arruda: “Fod….., só cenas caras, mais uma mala no aeroporto?”
Miguel: “Não tens nada a ver com isso, heheheh. Ou queres ou meto à venda”?
Ana: “Por favor, que seja a última vez. Eu fico aflita. Eu quero, é bonita e é mesmo o meu género”.
Miguel: “Queres as duas? Ou meto à venda?”.
Ana: “Sim, fico com as duas”.

Há várias outras conversas a denunciar a cumplicidade entre o casal, como esta, em dezembro de 2024:


Miguel: “De roupas, desta vez não veio nada de jeito. Safou-se um perfume para ti, vamos ver se gostas”.
Ana: “A roupa era toda pequena?”
Miguel: “Se não servir para vender, dás à Letícia” [empregada do casal em Ponta Delgada].

Ana Arruda responde assim pelo crime de recetação, enquanto o marido está acusado por 21 crimes de furto qualificado.

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