Miguel Arruada estava a ser investigado desde novembro, até ser surpreendido por investigadores à saída do aeroporto de Lisboa. Em causa estão viagens entre Açores e a capital portuguesa. Mas afinal como é que alguém é identificado e depois apanhado nestes casos que ocorrem em aeroportos?
Este processo, "em termos de trabalho policial, é o bê-á-bá" da investigação criminal, dizem investigadores ouvidos pela CNN Portugal. Miguel Arruda, deputado do Chega, foi constituído arguido por suspeitas do furto de bagagens no aeroporto, depois de ter sido alvo de buscas nas suas casas em Lisboa e nos Açores, nas quais foram apreendidas ao todo sete malas que não seriam suas.
"Quer quem fez as buscas, quer quem as autorizou, estão mais do que seguros do que estão a fazer", afirma à CNN Portugal Hugo Costeira, do Observatório de Segurança Interna (OSI). "Neste caso, o trabalho da investigação criminal não é propriamente um trabalho complicado, até é um trabalho muito simples."
A investigação estava a decorrer desde novembro. Durante este período, Miguel Arruda foi identificado em imagens de videovigilância nos aeroportos a recolher malas do tapete de recolha de bagagens, tal como aconteceu esta terça-feira, quando, ao chegar a Lisboa, apesar de trazer consigo bagagem de mão, retirou uma mala do tapete de bagagens. Miguel Arruda foi intercetado pela polícia, a quem terá dito que foi um engano. À sua espera estava já uma procuradora do Ministério Público para o apanhar em flagrante delito.
Questionado sobre o tempo que demorou até que o deputado fosse intercetado e confrontado, Hugo Costeira explica que isso "é normal", uma vez que "os processos não são imediatos" e "as investigações demoram o seu tempo". Mas sublinha: este processo é bastante simples, salientando que, em dois meses, foi identificado o suspeito e efetuadas buscas domiciliárias, acabando o deputado por ser constituído arguido.
Os especialistas ouvidos pela CNN Portugal explicam que os aeroportos são altamente vigiados, sobretudo a zona da recolha de bagagens à chegada. "Basicamente basta seguir as malas. As malas são filmadas a serem transportadas para os tapetes e depois há toda a vigilância que permite ver quem é que pega nas malas de quem. Se este fenómeno se vai repetindo nos Açores, num determinado aeroporto, então ainda fica mais fácil", explica Hugo Costeira.
Durante esse período, as autoridades provavelmente terão "monitorizado o suspeito até ser apanhado em flagrante delito", teoriza José Manuel Anes, ex-presidente do Conselho Consultivo do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT).
De acordo com o jornal Público, Miguel Arruda confessou os crimes quando as autoridades procediam às buscas domiciliárias.
Ainda assim, José Pacheco, líder do Chega Açores, considera que Miguel Arruda é inocente, uma vez que apenas levou uma mala "por engano" - e além disso, quer punir "fortemente e violentamente" os jornalistas. Já André Ventura pondera retirar a confiança política a Miguel Arruda. Ao que a CNN Portugal apurou, o presidente do Chega colocou essa hipótese à direção do partido, antes de se reunir com o deputado, a quem exige explicações privadas e depois públicas.
Se for condenado por furto qualificado, Miguel Arruda arrisca uma pena de prisão que pode ser superior a cinco anos.