Câmara de Caminha eliminou do site informações falsas sobre empresário que negociou projeto com Miguel Alves

15 nov, 10:49
Miguel Alves (D.R.)

Em causa está um currículo falso de Ricardo Moutinho, empresário com o qual o ex-secretário de Estado tinha negociado o projeto do Centro de Exposições Transfronteiriço

O site institucional da Câmara da Caminha foi alterado para deixar de apresentar parte de um documento que prova ter sido o gabinete de Miguel Alves a publicar um currículo falso de Ricardo Moutinho, empresário que recebeu 300 mil euros para a construção de um pavilhão multiusos que nunca teve qualquer concretização. A notícia foi avançada pelo jornal Público esta terça-feira. 

De acordo com o jornal, algumas das passagens mais sonantes deste currículo manipulado incluíam funções enquanto "controller na Unilever Jerónimo Martins", "analista na Vodafone Ventures, em Londres", "assessor do Ministro de Estado e das Finanças, no decurso do XXI Governo Constitucional" e "consultor da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC)". Questionados pelo Público, o Ministério das Finanças e a CCDRC negam que o empresário tenha desempenhado funções nestes departamentos. 

O documento em questão mencionava, também, que a experiência dos acionistas da empresa Green Endogenous (da qual Ricardo Moutinho era, afinal, o único accionista) se devia a participações "no consórcio privado, responsável pela conceção, construção e exploração do Super Bock Arena, no Porto". A administração da Círculo de Cristal, empresa que gere aquele espaço, rejeita qualquer associação da Green Endogenous ao Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota como "uma utilização abusiva do nome desta entidade". Alegações de que Ricardo Moutinho seria accionista maioritário do Grupo TAV Airports, proclamadas pelo próprio na Assembleia Municipal de Caminha, foram igualmente desmentidas por esta firma. 

Autarca reconhece manipulação do site - mas sugere que a culpa é de Miguel Alves

O currículo do empresário, descobriu posteriormente o jornal Público, teve origem "na própria Câmara de Caminha e correspondia, na íntegra, a um comunicado então difundido pelos seus serviços em 26 de setembro de 2020". Não obstante, quando requisitada uma cópia deste comunicado ao gabinete de Rui Lages (antigo vice-presidente de Miguel Alves e seu sucessor na presidência da autarquia), a versão atual não correspondia àquela publicada há dois anos. O percurso profissional de Ricardo Moutinho tinha sido apagado do texto original, sugerindo alterações efetuadas no site da câmara de forma a retirar a Miguel Alves a responsabilidade da divulgação do currículo. 

Questionado sobre esta situação, Rui Lages expressou indignação e disse "[repudiar] por completo qualquer clima de suspeição que se pretenda associar a este 'não assunto'", mostrando-se disponível para uma "verificação/auditoria do website". Mais tarde, confrontado com a cópia do documento original a que o Público teve acesso, admitiu as discrepâncias entre as duas versões - mas remeteu as responsabilidades para o seu antecessor, Miguel Alves. "Na gestão do senhor Presidente da Câmara Municipal, Rui Lages, não foi realizada qualquer alteração", frisou, citado pelo Público. 

Em resposta a estas acusações, Ricardo Moutinho garantiu desconhecer a origem das informações falsas presentes na cópia do currículo a que o Público teve acesso e considerou-as "grosseiras imprecisões". 

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