Demitiu-se o médico que ganhou 700 mil euros em 22 dias. Diz-se alvo de tratamento "humilhante"

Agência Lusa , NM
28 nov, 17:15
Hospital de Santa Maria (Rodrigo Cabrita/Getty Images)

Miguel Alpalhão já estava suspenso de funções - com perda total de vencimento - pelo Hospital de Santa Maria

O médico dermatologista Miguel Alpalhão apresentou esta sexta-feira a demissão do Hospital de Santa Maria (Lisboa), alegando que não lhe restava outra atitude perante o tratamento “humilhante, degradante e persecutório” de que diz ter sido foi alvo por parte da administração.

“Lamentavelmente, não me resta outra atitude que não a demissão das minhas funções, perante a forma de tratamento com intuito humilhante, degradante, discriminatório e persecutório de que fui alvo ao longo do último ano por parte da administração do hospital”, escreve o médico na carta a que a Lusa teve acesso.

Nessa carta, Miguel Alpalhão, recebeu quase 700 mil euros por 22 dias de trabalho adicionais no Hospital de Santa Maria, refere que a denúncia do seu contrato, assinado inicialmente a 1 de janeiro de 2024, terá efeitos a 12 de janeiro de 2026, no dia seguinte ao final da suspensão que lhe foi aplicada.

Miguel Alpalhão foi suspenso de funções com perda total de vencimento, tinha noticiado anteriormente a CNN Portugal. O Hospital de Santa Maria tem ainda em marcha outro processo disciplinar para despedimento do médico e devolução das verbas indevidamente recebidas pelas cirurgias realizadas.

A TVI/CNN Portugal apuraram que é vontade do Hospital de Santa Maria que isso aconteça, mas vai esperar pelos trâmites normais do processo que ainda decorre.

Dos 700 mil euros que ganhou em 22 dias, 400 mil euros dizem respeito a dez sábados com cirurgias que demoravam em média cinco minutos. Operou inclusivamente os pais - entretanto apurou-se que os pais não foram referenciados através dos canais normais e foram diretamente à consulta com o filho. Com as cirurgias aos pais, Miguel Alpalhão ganhou 5.500 euros.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde já confirmou irregularidades nas cirurgias e a falha de todos os controlos internos de alerta.

O caso, recorde-se, foi revelado em maio pela TVI/CNN Portugal.

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