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Portas diz que "não vale a pena" retirar "lições continentais" das eleições na Madeira. Mas deixa um aviso ao PS e Chega nacionais

23 mar 2025, 22:35

No Global desta semana, Paulo Portas destaca algumas conclusões dos resultados eleitorais na Madeira, desde logo que "quem gere a instabilidade é penalizado"

Paulo Portas avisa que "não vale a pena" retirar "lições continentais" dos resultados eleitorais na Madeira, que deram novamente vitória ao PSD/Madeira - a quinta vitória de Miguel Albuquerque.

"Eu seria prudente quanto a extrapolações em termos nacionais, porque a realidade da Madeira é muito específica", começa por dizer Paulo Portas no Global desta semana, que teve início quando a contagem dos votos ainda ia a meio, sem se saber se Miguel Albuquerque iria vencer com ou sem maioria no parlamento regional.

Apesar dessa ressalva, Paulo Portas entende que há "duas ou três coisas evidentes" - desde logo, que "quem gere a instabilidade é penalizado", lembrando que estas eleições antecipadas só aconteceram porque o Chega/Madeira apresentou uma moção de censura ao Governo de Miguel Albuquerque, que foi aprovada pelo PS/Madeira.

"Coligações negativas entre o PS e a extrema-direita não beneficiam nenhuma das partes", conclui o comentador, num aparente aviso ao Chega e PS nacionais. "As pessoas não gostam muito de coligações de quem só faz bota-abaixo e não apresenta alternativas", acrescenta.

Mudando de tema, Paulo Portas analisa ainda  as conversações entre os representantes dos EUA, Rússia e Ucrânia para um cessar-fogo imediato. Sobre isto, o comentador diz ter notado "um certo sabor a extorsão" na conversa entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, na qual o presidente norte-americano terá sugerido ficar com a gestão das centrais nucleares ucranianas, além do acordo de extração de minerais raros ucranianos.

Ou seja, destas conversações fica claro que a Ucrânia sai derrotada em todos os cenários: "Além da Ucrânia ficar retalhada, perder território, não ter independência para decidir, fica sem energia nuclear e sem minerais", resume Paulo Portas.

"Donald Trump estará disposto a fazer mais e mais cedências só para ter o prémio de um cessar-fogo, embora completamente desigual", diz o comentador, salientando a desigualdade no tratamento do presidente norte-americano a Zelensky e Putin.

Mesmo com estas conversações em curso, Paulo Portas considera que a reprimenda do presidente do Supremo Tribunal ao presidente Donald Trump foi “uma das coisas mais importantes que aconteceram nos EUA esta semana”. Em causa está uma declaração do juiz John Roberts que foi interpretada como uma reprimenda a Trump, que pediu a destituição de juízes que decidem contra a sua administração.

"Trump esqueceu-se que os juizes federais são nomeados, não são eleitos", diz o comentador, lembrando que este juiz não foi nomeado por Trump, ainda que seja conservador. "Em princípio, Donald Trump teria todas as condições para trabalhar razoavelmente com este Supremo, sucede que Donald Trump optou por fazer um Governo de ordens executivas, que não vão ao parlamento mas podem ser atacadas em tribunal."

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