Governo quer academia a estudar impacto dos migrantes na sustentabilidade do SNS

Agência Lusa , MJC
4 jun, 11:38
Hospital Santa Maria (Lusa/Tiago Petinga)

Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, explicou que esse trabalho servirá para planear o sistema para “uma vaga de migrantes” que não se esperava

O Governo vai convidar as universidades a estudarem o impacto dos migrantes na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, anunciou hoje a ministra da Saúde.

Na abertura da Conferência Sustentabilidade em Saúde, que decorre no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Ana Paula Martins explicou que esse trabalho servirá para planear o sistema para “uma vaga de migrantes” que não se esperava.

Na conferência, em que será apresentado o Índice de Saúde Sustentável, elaborado pela Nova IMS, a ministra reconheceu que “o mais difícil e complexo” será conseguir que os profissionais de saúde queiram ficar no SNS e defendeu uma “mudança na organização do trabalho das equipas”.

Disse que o SNS precisa de mudar, uma mudança que se deve fazer de forma “inteligente e participativa”. “Só seremos sustentáveis se sobrevivermos”, disse Ana Paula Martins.

Na mesma sessão, Adalberto Campos Fernandes, que foi ministro da Saúde no governo de António Costa, defendeu um compromisso político alargado na área da saúde, lembrando que o país tem de se preparar para uma “mudanca demográfica impressionante” com “mais de 10% dos residentes não nacionais”.

“As pessoas estão a chegar aos serviços de saúde em situações muito difíceis”, disse.

Eurico Castro Alves, que coordenou a equipa que fez o Plano de Emergência da Saúde apresentado na semana passada pelo Governo, defendeu na mesma ocasião mudanças na regulamentação para dar maior flexibilidade à organização do trabalho na área da Saúde. “Cada vez mais há profissionais de Saúde que não querem trabalhar nos mesmos sítios as mesmas horas”, disse.

O médico defende hoje, num artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias, a dupla contratação, terminando a “situação indigna e ridícula da taxação em 50% das horas extraordinárias”.

“Casos há, em que um profissional de saúde termina o seu horário de trabalho e não se sente motivado para fazer horas extraordinárias no seu próprio hospital, porque sabe que se trabalhar seis horas, apenas lhe serão remuneradas três. Porque não permitir que permaneça a trabalhar no seu hospital através da sua empresa unipessoal? Porque não permitir que depois de um certo número de horas a taxação seja reduzida de 50% para 20%?”, questiona.

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