Depois de seis dias no mar sem água ou comida, 22 migrantes morreram ao largo da Grécia

28 mar, 18:24
Migrantes

Partiram de Tobruk rumo à Europa, perderam a orientação no Mediterrâneo e ficaram à mercê do mar até o percurso se transformar numa travessia de morte

Quando a embarcação foi finalmente intercetada, já levava mortos a bordo.

Vinte e duas pessoas morreram ao largo da costa grega depois de passarem seis dias num bote insuflável a tentar chegar à Europa, segundo a guarda costeira da Grécia. Foram resgatados 26 sobreviventes, entre eles uma mulher e uma criança, por um navio da agência europeia de fronteiras na sexta-feira. Duas dessas pessoas foram levadas para o hospital de Heraklion, na ilha de Creta.

O bote tinha saído a 21 de março do porto de Tobruk, no leste da Líbia. Pelo caminho, disseram as autoridades gregas, os passageiros perderam a orientação e ficaram no mar sem comida nem água. O mau tempo agravou o que já era, à partida, uma viagem feita no limite. A embarcação acabou por ser travada a 53 milhas náuticas de Ierapetra, na costa sul de Creta. Entre os sobreviventes, 21 são do Bangladesh, quatro do Sudão do Sul e um do Chade, segundo a guarda costeira.

Dois homens sul-sudaneses, de 19 e 22 anos, foram detidos sob suspeita de tráfico de pessoas. Estão também a ser investigados por entrada ilegal no país e homicídio por negligência.

A Grécia, tal como a Itália, continua a ser uma das principais portas de entrada no Mediterrâneo para migrantes sem documentação, muitos deles vindos do norte de África ou da Turquia. É uma rota antiga, repetida, muitas vezes feita em embarcações sobrelotadas, sem coletes salva-vidas nem mantimentos suficientes, e particularmente exposta quando o mar piora.

Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, pelo menos 41.696 pessoas chegaram por mar à Grécia em 2025. Este ano, já foram mais de 4.000. No mesmo corredor do Mediterrâneo oriental, pelo menos 103 pessoas foram dadas como mortas ou desaparecidas em 2025.

Em dezembro, 17 migrantes tinham sido encontrados mortos dentro de uma embarcação que metia água e estava parcialmente submersa, também ao largo de Creta. Agora, voltam a ser os mesmos sinais: um bote, dias demais no mar, e a Europa a aparecer tarde.

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