REVISTA DE IMPRENSA || Instituto admite rever estatísticas
O Estado não sabe quantos são nem onde vivem os imigrantes em Portugal. De acordo com o Expresso, o Instituto Nacional de Estatística suspendeu as publicações sobre imigração e população estrangeira relativas a 2024 e admite reavaliar vários indicadores, criando um vazio estatístico. A decisão resulta da necessidade de tratar e validar fluxos de dados provenientes da Agência para a Integração, Migrações e Asilo, em articulação com outras fontes.
A suspensão impede a desagregação por nacionalidade da população residente, estimada em 10,7 milhões em 2024, e deixa por esclarecer a distribuição dos cidadãos estrangeiros por concelho. O INE admite que a opção da AIMA de imputar entradas de imigrantes a anos anteriores, com base no início dos processos de legalização, pode obrigar à revisão das estimativas de população residente de vários anos e, em cascata, de outras estatísticas.
Entre os indicadores potencialmente afetados estão o PIB per capita, rácios de médicos por habitante, taxas de utilização de serviços públicos e indicadores demográficos. Autarquias contestam os valores de residentes estrangeiros divulgados pela AIMA, apontando discrepâncias em concelhos com forte trabalho sazonal, agricultura e construção civil, onde moradas administrativas não refletem residência efetiva.
O problema estende-se às áreas metropolitanas, onde a centralização de processos e denúncias de moradas irregulares pode agravar desvios.