Investigadores detetam microplásticos em carne, leite e sangue de gado. Risco para quem consome estes alimentos "permanece incerto"

9 jul, 08:35
Microplásticos

Os estudos sobre microplásticos multiplicam-se e reiteram as conclusões apresentadas pelos anteriores: respiramos, bebemos e comemos plástico

Depois de terem sido encontrados vestígios de microplásticos na corrente sanguínea e nos pulmões humanos, um novo estudo detetou partículas de polietileno e poliestireno no sangue de vacas e porcos, bem como em produtos alimentares de origem animal. 

A descoberta foi feita pela Universidade Livre de Amsterdão, recorrendo aos mesmos métodos de análise utilizados na recolha de sangue humano. Das 12 amostras de sangue animal recolhidas, todas – sem exceção - apresentavam partículas de plástico.
 
Também as amostras de leite obtiveram resultados alarmantes. Das 25 estudadas – que incluíam embalagens de leite de supermercado e leite extraído diretamente do animal – 18 estavam contaminadas. A origem do leite não pareceu ser um fator relevante, uma vez que foram detetadas partículas em pelo menos uma amostra de todas as categorias. 

Foram ainda testadas 24 porções de carne, originalmente destinadas a consumo humano. Também aqui os resultados foram preocupantes: sete das oito amostras de carne de vaca e cinco das oito amostras de carne de porco apresentaram vestígios de microplásticos.

Os investigadores apontam duas possíveis teorias para a presença de partículas microscópicas nestas amostras: os produtos destinados à alimentação humana foram embalados com plástico, o que poderá sugerir uma contaminação por contacto com o invólucro. Por outro lado, todas as amostras de ração animal analisadas pelos investigadores continham, também, microplásticos - abrindo assim a porta à possibilidade de uma transmissão através da alimentação.

As consequências para os animais (e para os humanos que consomem estes animais) são ainda desconhecidas. “Permanece incerto se há potenciais riscos toxicológicos associados a estas descobertas", escrevem os responsáveis pelo estudo.

No entanto, estudos anteriores já tinham confirmado que a presença de microplásticos no corpo humano pode vir a causar danos celulares e doenças cancerígenas. De um modo mais geral, é igualmente reconhecido que o plástico é responsável por uma crescente e insustentável devastação ambiental. 

"[Este estudo] deve servir como um ímpeto para explorar mais aprofundadamente esta exposição e todos os riscos que possam estar associados a ela", comentou Heather Leslie, investigadora da Universidade Livre de Amsterdão. 

Maria Westerbos, membro da fundação neerlandesa Sopa de Plástico, concluiu: "Quando estão presentes microplásticos na alimentação de gado, não é surpreendente que a esmagadora maioria da carne e dos laticínios testados contenham microplásticos. Precisamos urgentemente de limpar o mundo de plástico que existe na alimentação de gado, para proteger a saúde do gado e dos humanos".

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