A ex-primeira dama é um nome recorrente entre os democratas mas já disse várias vezes que não tenciona candidatar-se. Além disso, apesar de ser muito popular e uma das mulheres mais influentes dos EUA, falta-lhe perfil político, segundo os analistas
Poderá Michelle Obama ser candidata democrata à presidência dos Estados Unidos? "Dificilmente", responde Tiago André Lopes. Antes de mais, porque a ex-primeira dama já deixou bem claro que não quer participar nessa corrida e, depois, porque, "apesar de ela ser bastante popular e ser uma das mulher mais influentes dos EUA", não parece ter "o perfil político" para, na hora da verdade, ser uma verdadeira opção.
"O problema de Michelle Obama é que ela não tem perfil político. Sabemos que durante o mandato do marido foi uma defensora dos direitos humanos e da equidade social, sabemos isso pelas ações que ela foi desenvolvendo, mas não conhecemos as suas posições reais sobre temas como o aborto, a pena de morte, a eutanásia, nem sobre outros temas da política nacional e internacional, ela nunca se posicionou oficialmente", explica à CNN Portugal o especialista em Relações Internacionais.
Durante a presidência de Barack Obama (2009-2017), Michelle assumiu-se como uma defensora da alimentação saudável e lutou contra as desigualdades. Além disso, ganhou imensa popularidade com o seu livro de memórias, "Becoming", publicado em 2018, que foi um sucesso de vendas em vários países, incluindo em Portugal.
"Michelle, apesar de ser uma figura muito popular, ainda não conseguiu sair do lastro de Barack Obama. Ser esposa é o que lhe dá visibilidade maior. Não tem traquejo político e não parece interessada tê-lo", afirma Tiago André Lopes. "Barack Obama é uma das figuras políticas mais importantes dos EUA ainda hoje. Inspira a ala mais à esquerda do Partido Democrata, não galvaniza o centro e radicaliza os republicanos. É uma figura muito marcante e se Michelle concorresse dificilmente conseguiria escapar a esta marca, iríamos perguntar quem é que de facto estava a concorrer."
Nesse aspecto, o seu percurso tem sido muito diferente do de Hillary Clinton. "Hillary conseguiu sair da sombra do marido. Bill clinton desapareceu do espaço público e deixou espaço para que Hillary reconstruísse o seu nome, foi secretária de Estado de Obama, ganhou currículo político e preparou a sua candidatura." Isto é algo que leva algum tempo e exige uma forte determinação, não poderá ser feito em poucos meses - até novembro - como alguns querem acreditar. "Passar de nunca ter feito nada para candidata neste momento é muito improvável", conclui Tiago André Lopes.
Michelle lidera as sondagens mas não quer ser candidata
Michelle Obama, atualmente com 60 anos, tem sido um dos nomes que recorrentemente aparece como hipotética candidata presidencial desde 2011, quando uma sondagem da Quinnipiac University lhe atribuiu cerca de três quintos das intenções de voto, um resultado acima até mesmo do conseguido por Barack Obama no primeiro mandato (56,5%) e por Bill Clinton (59,2%).
No entanto, a antiga primeira dama tem repetidamente rejeitado todas as alusões a uma corrida presidencial. Já em 2017 dizia claramente: “Não, não vou fazê-lo”. Voltou a deixar a sua posição bem clara em 2019, apelando em vez disso ao voto em Joe Biden. "Oito anos são suficientes. É hora de novas ideias e novas pessoas", disse, na altura. Em março último, quando a pivô da CNN Alisyn Camerota levantou a possibilidade de Michelle Obama ser uma boa escolha como vice-presidente para Joe Biden, o seu assessor de comunicação voltou a explicitar a posição de Michelle: “Como a ex-primeira-dama Michelle Obama expressou várias vezes ao longo dos anos, ela não concorrerá à presidência. A sra. Obama apoia a campanha de reeleição do presidente Joe Biden e da vice-presidente Kamala Harris." O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, também rejeitou os rumores de que a sua mulher estaria na corrida democrata, dizendo que ela “não gosta de política” e não concorrerá à presidência.
Apesar disso, a ex-primeira dama Michelle Obama é a única democrata que poderia vencer Donald Trump, de acordo com uma sondagem da Reuters-Ipsos publicada no início deste mês. Segundo essa sondagem, a mulher do ex-presidente Barack Obama conseguiria bater Trump por 50% contra 39% num hipotético confronto em novembro.
Na mesma sondagem, Biden empataria com Trump, com 40% das intenções de voto, enquanto a vice-presidente Kamala Harris ganharia a Trump por 43% contra 42%. Até o governador da Califórnia, Gavin Newsom, conseguiria melhor do que Biden, com uma vitória de 42% contra 39% de Donald Trump.
As especulações em torno de uma possível candidatura presidencial de Michelle Obama voltaram a ganhar força à medida que cada vez mais pessoas começaram questionar-se se Joe Biden não deveria retirar-se devido devido à sua idade avançada. Trump levantou dúvidas sobre a saúde mental do atual presidente assim como sobre a sua capacidade física.
"Façamos uma pausa para reconhecer a realidade: não há literalmente nenhuma razão para pensar que a ex-primeira-dama irá concorrer a um cargo público, este ano ou em qualquer outro. Michelle Obama foi categórica neste ponto em diversas ocasiões, ao longo de vários ciclos eleitorais", sublinhou o analista da MSNBC Steve Benen. "Tenho um conselho para todos aqueles que estão prontos para colocar um autocolante 'Michelle Obama 2024' nos carros: não se preocupem. É quase certo que esta candidatura não irá acontecer."
