A pandemia tirou-lhes tudo: ele e ela foram viver para uma tenda, ela morreu, ele guardou o cadáver durante três dias

16 fev, 16:19
Polícia britânica

Trata-se de um casal britânico. Numa primeira fase o homem foi detido por suspeitas de homicídio, mas a autópsia acabou por revelar que era inocente

Michael Winter e a mulher, Angela, perderam o emprego e a casa em março do ano passado por causa da crise económica provocada pela pandemia de covid-19. Numa fase inicial viveram na casa da família de Winter, mas em junho decidiram ir morar para uma tenda no meio do mato em Burton, no Reino Unido. 

Durante uma discussão mais acesa, a 24 de junho, Angela disse que não aguentava mais viver numa tenda, pegou em duas malas, saiu e nunca mais voltou. De acordo com a imprensa britânica, Michael ainda esperou durante uns dias que a mulher regressasse, mas depois decidiu ir à procura dela. A 29 de junho, encontrou-a morta junto a um parque infantil. 

Numa primeira reação, envolveu o corpo da mulher, transportou-o até à tenda onde viviam e ali permaneceu durante três dias. Não comeu nem bebeu nada e tentou suicidar-se com cortes nos pulsos. Passados esses três dias, dirigiu-se à esquadra local para declarar o óbito, tendo sido de imediato detido por suspeitas de homicídio. 

O caso foi agora conhecido depois de terem sido lidas as conclusões do inquérito realizado pelas autoridades: Michael era inocente. Na autópsia feita ao corpo da mulher foram detetados vários medicamentos que, quando ingeridos em simultâneo, podem resultar numa intoxicação medicamentosa. Angela tomava medicação para a epilepsia, tiróide e pressão arterial.

No entanto, havia outros indicadores que podem ter contribuído para esta morte. "Nos pulmões também encontrámos sinais de pneumonia. Isto provavelmente já existia independentemente dos medicamentos, mas depois de ingeridos diminuem a frequência cardíaca e respiratória", explicou  Alexander Kolar, o médico que realizou a autópsia. 

No relatório é dito que se tratou de um suicídio que ocorreu entre os dias 23 e 26 de junho. O cadáver foi encontrado a 29 e a morte foi comunicada às autoridades a 2 de julho. O médico revelou ainda que o corpo estava "em elevado estado de decomposição" e "não apresentava sinais de violência". 

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